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Ciência
Quinta - 01 de Agosto de 2002 às 19:22

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(Reuters)WASHINGTON - Cientistas encontraram os restos de uma das mais estranhas criaturas já descobertas - um grande réptil voador que viveu no tempo dos dinossauros, pescava com um bico em forma de tesoura deslizando sobre a superfície da água e tinha a cabeça coroada por uma enorme crista óssea.

Os cientistas brasileiros Alexander Kellner e Diógenes de Almeida Campos descreveram nesta quinta-feira um tipo antes desconhecido de pterossauro - répteis alados considerados parentes próximos dos dinossauros.

A descoberta é importante tanto pela estranheza de sua crista craniana quanto pelas informações que ele fornece sobre como os pterossauros caçavam, dizem os pesquisadores. Eles o batizaram de Thalassodromeus sethi. O primeiro nome significa "aquele que corre sobre o mar" e o segundo vem de Seth, o deus egípcio do mal e do caos.

Kellner disse que a cabeça do Thalassodromeus, que viveu há 110 milhões de anos, media 1,42 metros com a crista. Sua envergadura era de cerca de 4,5 metros e seu comprimento cerca de 1,8 metros.

"Sem os fósseis, você jamais acreditaria que um animal como esse algum dia existiu", disse Kellner pelo telefone, no Rio de Janeiro. "Imagine um animal como esse voando rasante sobre a água em sua direção. Deveria ser realmente uma visão do inferno!", acrescentou Kellner, que trabalha no Museu Nacional do Rio.

Quando procurava por comida, o Thalassodromeus provavelmente planava sobre a água das lagoas, com sua mandíbula roçando a superfície, pronta para agarrar o primeiro peixe ou crustáceo suculento que encontrasse, disse o pesquisador cujo trabalho foi publicado na revista Science.

As semelhanças entre as mandíbulas achatadas desse pterossauro, que terminam em um bico em forma de tesoura, e o bico de uma ave moderna chamada gaivota-negra levam os cientistas a crer que o Thalassodromeus, assim como o pássaro, voava baixo sobre a superfície da água com a mandíbula inferior ligeiramente submersa, diz Kellner.

"O novo pterossauro brasileiro nos traz importantes informações sobre a estratégia de caça desses répteis voadores", disse à Reuters o pesquisador Fabio Dalla Vecchia, especialista em pterossauros do Museu de Paleontologia de Monfalcone, Itália.

O aspecto mais surpreendente do Thalassodromeus é sua grande e fina crista óssea que, com sua extremidade em "V" se assemelha uma gigantesca ponta de lança ou à lâmina de uma faca. A crista ocupa dois terços da cabeça do animal. Proporcionalmente, é maior crista desse tipo em qualquer animal extinto ou existente, exceto pela de outra espécie de pterossauro.

"Isto está muito perto do limite do estranho", disse Christopher Bennett, especialista em pterossauros da Universidade Bridgeport em Connecticut, que viu o novo espécime. "Mas os pterossauros são todos animais muito estranhos".

A crista é coberta por uma rede de sulcos que Kellner acredita representar um extenso sistema de vasos sangüíneos que o animal podia usar para regular sua temperatura - neste caso, resfriando-a. Para Bennett, esta é uma "conclusão razoável", mas "existem muitas evidências de que as cristas eram usadas para demonstrações sexuais" em outros pterossauros.

Os pterossauros não eram dinossauros, embora ambos tenham sido tipos muito bem sucedidos de répteis. Ambos apareceram há 225 milhões de anos durante o Período Triássico, e floresceram até 65 milhões de anos, quando um asteróide ou outro grande objeto cósmico atingiu a Terra. Alguns fósseis sugerem que os pterossauros tinham a pele coberta de pêlos.

Os pterossauros foram os primeiros vertebrados voadores da Terra, tendo surgido muitos milhões de anos antes dos pássaros ou morcegos. O Thalassodromeus viveu em meados do período Cretáceo - o capítulo final da era dos dinossauros.

Sabe-se pouco sobre os pterossauros porque seus ossos leves muitas vezes não resistiam ao processo de fossilização. Kellner descreve o Thalassodromeus nem seu artigo baseando-se em um crânio bem preservado encontrado em 1983 na formação de Santana, uma região rica em fósseis no nordeste brasileiro. Ele diz que outros ossos do animal foram encontrados por lá, o que permitiu que ele estimasse seu comprimento e envergadura.





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