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Tecnologia
Quinta - 15 de Janeiro de 2004 às 11:02

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Cientistas britânicos dizem que inventaram-se a si mesmos desempregados. O novo sistema robótico que desenvolveram pode, pela primeira vez, projetar e conduzir independentemente uma experiência genética e, depois, interpretar seus resultados.

Não foram encontradas diferenças entre os resultados laboratoriais gerados pelo robô cientista e os produzidos por estudantes graduados fazendo pesquisa iguais, dizem os pesquisadores na edição da revista Nature que circula amanhã.

Embora o sistema ainda esteja no início, eles acreditam que irá, algum dia, fazer trabalho intensivo de laboratório, liberando-os de pesquisas enfadonhas.

“O trabalho não especializado por ser feito desse modo, enquanto os humanos terão mais tempo para as coisas mais criativas”, diz o autor do estudo, Stephen Oliver, da Universidade de Manchester.

Outros pesquisadores descrevem o robô como um “arauto do futuro”, mas dizem que é preciso desenvolver softwares com raciocínio mais sofisticado.

Como sempre acontece, os laboratórios adotariam esses sistemas avançados de inteligência artificial “rápida e perversamente”, diz Larry Hunter, um especialista em biologia computacional da Escola de Medicina da Universidade do Colorado, que não está envolvido na experiência.

O sistema foi projetado para determinar a função dos genes do levedo do pão. Cerca de 30% dos 6.000 genes do levedo são desconhecidos, mas os cientistas acreditam que eles podem ser partilhados pelo genoma humano e talvez, algum dia, sejam importantes para a medicina.

Para determinar as funções dos genes em questão, o experimento usou uma variedade na qual um gene específico foi removido. Determinando-se como o exemplar de levedo crescia, a função do gene ausente pôde ser inferida.

Na experiência automatizada, os pesquisadores primeiramente desenvolveram um modelo matemático mostrando como os vários genes, proteínas e enzimas e o crescimento interagem. Armado com esse conhecimento, o robô gerou hipóteses sobre o gene ausente e usou equipamento para fazer sementes de levedo crescerem. Mais tarde, eles compararam o crescimento de cada grão com sua hipótese original. O processo foi repetido várias vezes enquanto o sistema desenvolvia novas hipóteses baseadas no acúmulo de informações.

“É como se você tivesse uma máquina quebrada e o sistema pudesse automaticamente raciocinar para descobrir todos os modos possíveis pelos quais ela está quebrada”, diz Ross King, da Universidade de Gales-Aberystwyth. “Alguns filósofos achavam que isto era impossível para computadores porque eles não têm imaginação.”

O robô cientista usa um tipo de raciocínio chamado abdução (segundo o dicionário Aurélio, “raciocínio cuja conclusão é imperfeita e, portanto, apenas plausível”). Segundo King, é o tipo de raciocínio que a polícia usa para conciliar pistas quando investiga um crime e tem um suspeito.

“Se a pessoa cometeu o crime, todas as pistas fazem sentido”, diz King.

Para Hunter, a nova obra marca a primeira vez que, num computador projetado experimentalmente, o controle de instrumentos e a análise de resultados foram colocados juntos num mesmo circuito.

“Agora é possível projetar sistemas de inteligência artificial capazes de raciocinar bem o suficiente para ser um parceiro eficaz na pesquisa científica”, disse Hunter.

Oliver acha que o próximo passo é ver se outro robô pode fazer uma descoberta completamente nova além do que simplesmente combinar com os resultados de estudantes graduados.




AE-AP




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