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Tecnologia
Sexta - 23 de Janeiro de 2004 às 08:37

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O governo brasileiro estuda a possibilidade de participar do programa europeu de desenvolvimento de um sistema global de rastreamento por satélite – o Projeto Galileu, previsto para entrar em operação em 2008. O convite foi feito pelo comissário de Relações Exteriores da União Européia, Chris Patten, que esteve em Brasília no início da semana para uma série de encontros com autoridades brasileiras, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O assunto está sendo analisado pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. A participação no projeto europeu poderia ser uma alternativa ao Global Positioning System (GPS), sistema americano de rastreamento do qual o Brasil é um dos usuários. na última quarta-feira, o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) confirmou o interesse no assunto. “A redução da dependência tecnológica é aspecto fundamental da adoção desse novo sistema, desde que consideradas as adequações do equipamento atualmente em uso e os aspectos orçamentários”, informou o Cecomsex.

Um sistema de rastreamento por satélites permite a localização exata, em segundos, de qualquer ponto na superfície terrestre. Ele é extremamente útil não apenas do ponto de vista militar. O sistema tem aplicações práticas também na área civil, em campos que vão da navegação aérea e marítima até a pesca, controle do meio ambiente e agricultura. Por ser de origem militar, no entanto, o GPS americano tem um inconveniente: em tempos de guerra, o acesso a ele pode ser interrompido, o que já ocorreu, por exemplo, durante a Guerra do Golfo, em 1991. O Galileu poderá ter uso militar, mas será voltado basicamente para fins civis.

“O Exército Brasileiro não dispõe de sistema alternativo ao GPS. Seu bloqueio traria transtornos no que diz respeito à precisão e à rapidez no cumprimento de atividades nas quais esse sistema é importante”, informou o Cecomsex. Nessa questão, o Exército tem uma precupação especial no que se refere à defesa da Amazônia. A Força utiliza atualmente o GPS nas áreas de navegação terrestre e aérea, levantamento geodésico, reconhecimento oepracional, avaliações operacionais de armamento e munição, sistemas de controle e direção de tiro e operações de busca e salvamento.

Mas a eventual participação brasileira no Projeto Galileu não seria apenas a de mais um cliente do sistema. Conforme disse Patten na segunda-feira, depois de se reunir no Itamaraty com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dada a extensão territorial, o Brasil poderia ter interesse em dar colaboração financeira, científica e tecnológica ao projeto, assim como China, a Índia e Israel.

"Nós gostaríamos de conversar sobre a possibilidade de o Brasil participar em várias áreas, como as de pesquisa, de treinamento, de participação financeira e de cooperação técnica", afirmou o comissário.

O ministro da Defesa, José Viegas, com quem Patten também se reuniu, disse que o Brasil tem capacidade de fornecer “contribuição tecnológica e industrial” ao projeto. (Colaborou Denise Chrispim Marin




Agência Estado




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