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Ciência
Terça - 13 de Abril de 2004 às 11:23

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A pesquisa nuclear no Brasil deu um grande salto no início desse ano: desde fevereiro o Laboratório de Física Nuclear da Universidade de São Paulo (USP) começou a criar e estudar feixes de núcleos exóticos, ou seja, átomos com núcleos instáveis, com uma carga de nêutrons maior ou menor do que a existente nos núcleos encontrados na natureza, e com vida útil de, no máximo, alguns segundos.

“Essa é uma importante área da física nuclear que está na fronteira do conhecimento”, ressalta a professora Alinka Lepine-Szily. Segundo ela, os estudos desenvolvidos no Instituto de Física da USP têm aplicações diretas tanto para a Física Nuclear – na melhor compreensão das atividades dos núcleos dos átomos – quanto para a Astrofísica.

O projeto de feixes de núcleos exóticos faz parte do programa Ribras (sigla em inglês para Feixe de Íons Radioativos no Brasil), e é o primeiro no hemisfério sul e um dos poucos desenvolvidos no mundo. Somente alguns países da Europa, os Estados Unidos, o Canadá, a China e o Japão desenvolvem pesquisa na área.

A iniciativa têm orçamento inicial de US$ 400 mil, divididos entre o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), e a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).

Segundo a professora, as pesquisas mais avançadas com átomos exóticos – e ainda não conduzidas no Brasil – são um caminho para o desenvolvimento de uma tecnologia que pode revolucionar a geração de energia em todo o mundo. Alinka explica que vários centros mundiais especializados já estão estudando a possibilidade de criação de um reator híbrido, tecnologia que substituiria a tradicional energia nuclear gerada por fusão e a ainda sonhada fissão nuclear.

A técnica dos reatores híbridos propõe gerar energia bombardeando praticamente qualquer material com certas partículas atômicas, os deutérios (formado por um próton e um nêutron). A vantagem, explica Alinka “seria a possibilidade de reutilizar lixo atômico para gerar energia”. Ela também informa que o processo teoricamente não produziria resíduos e abriria a possibilidade de substituir o urânio por possivelmente qualquer outro material na produção de energia.






Fonte: Assessoria de Imprensa do Ministério da Ciência e Tecnologia e Agência Brasil




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