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Ciência
Quarta - 14 de Abril de 2004 às 11:17

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Duas empresas de Tucson, no Arizona, estão tentando construir um sistema de remoção de gás carbônico (CO2) da atmosfera, em um esforço para reduzir o chamado efeito estufa.

A primeira unidade deverá estar pronta no início de 2005.

Cientistas têm discutido o chamado "limpador de ar" como conceito, mas esta é a primeira vez que alguém tenta construir um.

Detalhes da pesquisa foram publicados na revista Chemistry & Industry.

Aspirador de CO2

Allen Wright - da Global Research Technologies - e seu irmão Burton Wright - da Kelly, Wright Associates – decidiram combinar a especialização das duas empresas para construir uma estrutura capaz de aspirar e guardar o dióxido de carbono, considerado a principal causa do aquecimento da Terra por cientistas.

O sistema tem como objetivo processar grandes quantidades de ar e devolvê-las à atmosfera com baixa concentração de gás carbônico.

A diferença dos atuais filtros de gás carbônico é que o que eles pretendem construir não precisa estar perto da fonte de emissões.

Alguns pesquisadores acreditam que os "limpadores de ar" podem ser um elemento-chave em futuros acordos para reduzir a concentração atmosférica de gases que provocam o efeito estufa, para reduzir o aquecimento global.

O projeto ainda está em sua fase inicial e engenheiros ainda trabalham no desenho do futuro limpador.

A única coisa decidida é que ele terá uma área de 10 metros quadrados para a entrada de ar.

Conceito

"O principal objetivo do projeto é demonstrar que é técnica e economicamente viável fazer isso", afirma Allen Wright.

Ele acrescenta que o CO2 aspirado da atmosfera poderia ser fornecido à indústria petroleira para uso no processamento do petróleo residual.

O "limpador de ar" também poderia encontrar aplicações comerciais nas empresas envolvidas no comércio de emissões – um sistema criado para a compra e venda do direito de poluir.

Uma das idéias que o filtro aspire ar e o coloque em contato com uma solução de hidróxido (provavelmente hidróxido de sódio), para remover o gás carbônico.

O hidróxido reage com o dióxido de carbono e produz carbonetos. O problema é que é necessário usar uma grande quantidade de energia para, porteriormente, separar o CO2.

Rascunhos

Nem todo mundo acredita que o projeto vai dar certo.

"Não acho que vai funcionar", afirma o enegenheiro químico Howard J. Herzog, do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Baseado em seus próprios cálculos, Herzog diz que o que viu até agora do projeto mostra que o sistema que está sendo criado não vai ser viável em termos de custo de energia.

"Vai ser preciso gastar muita energia para limpar o CO2", afirma ele.

A equipe responsável pelo projeto concorda que reduzir os custos é o maior desafio, mas acredita que isso é contornável.

Eles discutem ainda a melhor forma de tirar vantagem dos ventos para aumentar a entrada de ar nos filtros.

"O aspirador poderia ter a forma de uma cortina veneziana, ou poderia ser uma placa com buracos de tamanhos diferentes, ou ainda com a superfície irregular", diz Donovan Kelly.

Para ele, os volumes de hidróxido também poderiam ser diferentes em diferentes níveis do sistema.

"A química e a teoria envolvidas neste projeto mostram que ele pode ser feito. Ele já é feito em pontos de controle de emissão em fábricas. Só estamos tentando fazer o mesmo com níveis mais baixos de concentração", afirma Burton Wright.

Alguns especialista acreditam na nova tecnologia porque a dependência global de combustíveis fósseis não deve ser reduzida no curto prazo.

Allen Wright diz que é a favor do desenvolvimento de fontes alternativas de energia, mas, no meio tempo, ele acredita que os limpadores de ar podem se tornar uma alternativa economicamente viável para filtrar a atmosfera.






BBC Brasil




URL Fonte: http://homenews.com.br/noticia/2192/visualizar/