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Ciência
Segunda - 26 de Abril de 2004 às 11:08

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Os cientistas que clonaram a ovelha Dolly estão pedindo autorização para clonar embriões humanos.
Ian Wilmut, do Instituto Roslin, em Edimburgo, na Escócia, quer usar embriões humanos clonados para estudar a doença degenerativa do neurônio motor (MND, em inglês).

O pedido apresentado ao Departamento de Embriologia e Fertilização Humana deverá suscitar alegações de que testes com embriões humanos é imoral.

Pesquisas para clonagem terapêutica foram legalizadas na Grã-Bretanha em 2001.

mbriões destruídos

Wilmut destacou que sua equipe não tem intenção de produzir bebês clonados e disse que os embriões serão destruídos depois das experiências.

"Nesse estágio inicial o embrião não tem as características humanas chaves", disse Wilmut à BBC. "Para mim, seria imoral não aproveitar esta oportunidade para estudar doenças."

Até recentemente, Wilmut disse que não trabalharia com embriões humanos.

Fraqueza muscular

O especialista quer estudar a doença causada pela morte de neurônios que controlam os movimentos.

Ela afeta cerca de 5 mil pessoas só na Grã-Bretanha. A metade dos pacientes com MND morre em um período de até 14 meses depois de feito o diagnóstico.

Fraqueza nos músculos do rosto e garganta também leva a dificuldade de falar, mastigar e engolir.

O objetivo é estudar o que ocorre de errado nas células nervosas do paciente que sofre de MND.

A equipe de Wilmut pretende pegar o DNA da pele ou do sangue de uma pessoa com MND e implantá-lo em um óvulo humano que teve seu material genético removido.

O óvulo será estimulado a se desenvolver. Os cientistas removeriam então as células do embrião formado ele ainda estiver nos estágios iniciais de desenvolvimento, estudando-as para entender melhor a doença.

O embrião seria destruído em poucos dias.

Se o estudo for bem sucedido, Wilmut disse que a técnica poderia ter profundas implicações para uma grande gama de outras doenças neurológicas e genéticas.

A equipe de Wilmut é a primeira a pedir licença para clonagem terapêutica na Grã-Bretanha.

Há menos de três meses, cientistas na Coréia do Sul anunciaram que criaram 30 embriões humanos clonados para pesquisas científicas.

Estudo difícil

Robin Lovell-Badge, do Instituto Nacional de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha disse que é difícil estudar MND e outras doenças do tipo em pacientes.

Segundo ele, Wilmut realizaria testes em embriões que não passam de uma bola de poucas centenas de células em um estágio muito anterior ao desenvolvimento de um sistema nervoso.

Mas Patrick Cusworth, um porta-voz da organização Life UK, manifestou oposição à pesquisa, dizendo: "Não é de surpreender que o Professor Wilmut tenha decidido ampliar a clonagem de animais para seres humanos."

"O fato de que ele faz isso sob o rótulo de clonagem terapêutica não muda em nada o fato de que um ser humano está sendo deliberadamente criado e depois destruído."

Cusworth disse que técnicas alternativas para que os cientistas obtenham células para suas experiências, tais como tomar amostras do sangue do cordão umbilical.






BBC Brasil




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