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Ciência
Segunda - 03 de Maio de 2004 às 10:51

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um material alternativo para substituir o amianto na fabricação de telhas e caixas d’água, sem pôr em risco a saúde de quem trabalha na produção. O novo composto, que atende pelo nome técnico de fibrocimento vegetal, é feito de uma mistura de cimento, resíduos siderúrgicos (escória) e fibras vegetais (de bananeira, sisal, coco, eucalipto ou outras plantas) e sintéticas.

A USP já está solicitando o patenteamento do produto e dos processos de fabricação. O projeto de desenvolvimento foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Também contou com a cooperação de empresas, que já estão produzindo comercialmente caixas d’água com o novo produto.

É o caso da Infibra e da Permatex, duas empresas de um mesmo grupo empresarial de Leme. “Fabricamos 7 mil caixas d’água de fibrocimento vegetal por mês”, diz Luiz Fernando Marchi Júnior, diretor industrial das duas.

Antes de depositar a patente – que ainda não tem data para ser aprovada – no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e iniciar a produção comercial, a equipe liderada pelo engenheiro civil Holmer Savastano Júnior, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, submeteu as telhas de fibrocimento vegetal a diversos testes para comprovar sua eficiência.


Isolamento térmico

Foram feitos, por exemplo, testes mecânicos de tração e testes físicos de permeabilidade, densidade e absorção de água. Os ensaios revelaram algumas vantagens dessas telhas em relação às de amianto. Uma delas é sua maior capacidade de isolamento térmico.

“Num teste, constatamos que a temperatura ficou 6 graus mais baixa embaixo de uma cobertura de 160 m² feita com telhas de fibrocimento vegetal do que de outra feita com telhas de amianto”, explica Savastano. “Além disso, nosso produto é mais leve e dura tanto quanto o amianto.”


Saúde

A grande vantagem do fibrocimento vegetal, porém, é que não oferece riscos à saúde. O amianto ou asbesto, uma fibra mineral usada na fabricação de telhas e caixas d’água, é perigoso, podendo causar doenças como a asbestose (o material se aloja nos pulmões, comprometendo a capacidade respiratória) e o câncer do pulmão.

Por isso, seu uso foi proibido em 42 países, o que poderá ocorrer também no Brasil. Há 13 projetos de lei federais e estaduais nesse sentido. Na França, o Conselho de Estado reconheceu a responsabilidade do governo na contaminação de trabalhadores, responsabilizando-o por não adotar medidas de prevenção de riscos ligados à exposição dessas pessoas à poeira de amianto.

No Brasil, uma das três maiores minas do produto fica em Goiás. O Estado e o município de São Paulo haviam proibido por lei o uso do amianto, mas o Superior Tribunal Federal decidiu liberá-lo. Os defensores do produto afirmam que a fibra do amianto brasileiro não é cancerígena, o que desmente institutos de pesquisa médica oficiais da Europa e dos EUA.






AE




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