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Informática
Segunda - 23 de Agosto de 2004 às 09:42

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Só os órgãos públicos brasileiros gastam R$ 80 milhões por ano com programas básicos e R$ 250 milhões com licenças. Ao todo, os usuários brasileiros pagam às empresas norte-americanas US$ 1,1 bilhão, anualmente, pelo uso das licenças. A economia desses valores é um dos pontos alegados pelo presidente do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), Sergio Amadeu, para que todo o governo mude seus programas para os chamados softwares livres.

Amadeu explica que outra diferença entre os programas é que naqueles chamados de "softwares proprietários", o usuário compra uma versão específica e, se quiser uma melhorada, adquire uma nova. Assim, os donos do programa, todos os anos, lançam novas versões mais velozes ou com mais recursos e as pessoas são obrigadas a comprá-las para manter o computador atualizado. "Como o usuário não pode alterá-lo está nas mãos da empresa que o fez".

O mais interessante dos softwares livres é que o usuário pode modificá-lo à vontade. Assim, aquele defeitinho do programa que às vezes tanto incomoda pode ser alterado, por meio do que se chama acesso ao "código-fonte", na linguagem da informática. O SL pode ser usado para estimular a criatividade e o desenvolvimento da tecnologia. "A Nasa só trabalha com software livre", diz Sergio Amadeu. "Imagine se der um problema em uma nave que está no espaço e a Nasa for chamar o técnico da empresa que desenvolveu o programa para consertá-lo", indaga.

No Brasil, a Petrobrás, por exemplo, já utiliza programas livres para a localização de poços de petróleo. Outras empresas nacionais que também já estão migrando para o SL são a Varig, Sucos Mais, Embrapa, Carrefour e, até mesmo, o metrô da cidade de São Paulo. Segundo o presidente do ITI, entre as cem maiores empresas do país, 78% "já usam pelo menos um programa ou solução em software livre", informa.

Outra vantagem dos SL é que eles são menos suscetíveis a vírus, pelo menos por enquanto. "O vírus, nos SL, têm poder limitado, só conseguem infectar arquivos pessoais, mas não tem como infectar os programas", explica o coordenador de informática do ministério das Cidades, Gustavo Noronha. Segundo ele, a solução para o problema é um mecanismo fácil. "Os programas proprietários executam o vírus sozinhos, aqui, o usuário precisa pedir explicitamente", o que impede o vírus de se alastrar sorrateiramente pela máquina. Mas o coordenador de informática admite que "o fato de ter menos computadores usando SL, faz com que eles ainda sejam menos visados pelos hackers".

Nas relações de trabalho, o que normalmente acontece é um programador ser contratado por uma grande empresa para desenvolver um programa ou, então, ele faz o trabalho e vende a essa empresa. Esta, por sua vez, ganha dinheiro patenteando a invenção e vendendo a licença pelo seu uso. Mas com os softwares livres, quem investe no trabalho do programador? Segundo Gustavo Noronha, a resposta é uma nova dimensão da área - em que as empresas não ganham dinheiro patenteando programas, mas com outros tipos de serviço. "Se uma empresa vai usar um novo programa, ela normalmente precisa capacitar o seu pessoal, e assim contrata o serviço de quem já o entende", explica Gustavo. De acordo com o coordenador, o único país que possui leis para patentes de softwares são os Estados Unidos. "A patente prejudica todo mundo que não trabalha para uma grande empresa", lembra o presidente do ITI. "Só a IBM tem 37 mil patentes", afirma.

Quem quiser fazer uma experiência e conhecer os softwares livres pode baixar vários programas no site do governo brasileiro criado especificamente para a troca de idéias na área (http://www.softwarelivre.gov.br).




Agência Brasil




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