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Ciência
Sexta - 04 de Março de 2005 às 11:27

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Cientistas dizem ter conseguido reconstruir em ratos nervos ópticos danificados em toda a extensão do percurso desde o olho até o cérebro.

Especialistas dizem que a experiência, feita pelo Instituto Schepens de Pesquisas do Olho, traz novas esperanças para tratar o glaucoma, uma enfermidade na qual um nível elevado de pressão destrói o nervo óptico.

A técnica também poderia ser usada para ajudar pessoas que sofrem de problemas na medula espinhal e em outras partes do sistema nervoso.

A experiência é detalhada na revista especializada Journal of Cell Science.

Cicatriz

“Isto é o mais próximo que a ciência já chegou de regenerar tantas fibras de nervos ópticos em uma distância tão grande para chegar ao seu objetivo”, disse Dong Feng Chen, o líder da equipe de pesquisadores.

“E também de reparar um nervo que antes se achava que tinha se danificado de forma irreparável.”

Vários tecidos celulares do corpo humano se reconstituem sozinhos em caso de lesão.

Mas não o nervo óptico e outros tecidos do sistema nervoso central, cujos danos são sempre permanentes.

Os cientistas do Instituto Schepens descobriram que a incapacidade do nervo óptico de se regenerar estava ligada ao não funcionamento de um gene chamado BCL-2.

Eles também descobriram que o processo de regeneração estava bloqueado pela criação, logo após o nascimento, de uma cicatriz no cérebro por células gliais especializadas.

Essas células desempenham várias funções no cérebro, entre as quais a criação dessa espécie de cicatriz.

A cicatriz coloca uma barreira ao mesmo tempo física e molecular para a regeneração.

Sempre ativo

Os cientistas criaram ratos nos quais o BCL-2 estava sempre ativado.

Eles descobriram que os animais conseguiam reparar os nervos ópticos com rapidez – mas só enquanto eram jovens e a cicatriz no cérebro ainda não havia se desenvolvido.

Em seguida eles criaram ratos com o BCL-2 funcionando e uma reduzida capacidade de criar as cicatrizes pelas células gliais.

Desta vez, mesmo os roedores mais velhos conseguiram regenerar as células ópticas.

O próximo passo agora será determinar se os nervos regenerados funcionam direito.




BBC, em Londres




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