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Tecnologia
Terça - 09 de Maio de 2006 às 11:33

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A legislação brasileira é clara. Menores de 10 anos de idade devem ser transportados no banco de trás obrigatoriamente seguros por cintos ou equipamento compatível – as exceções são permitidas para picapes ou quando existir mais de três crianças no veículo de passeio para serem embarcadas. O problema é que não há regulamentação de como os equipamentos, mais conhecidos como cadeirinhas, devem ser usados.

“Mas o presidente do Departamento Nacional de Trânsito, Alfredo Peres da Silva, afirmou na última sexta-feira (5/5), que o Conselho Nacional de Trânsito, que ele também preside, vai emitir uma norma, em três meses aproximadamente, para regulamentar as cadeirinhas”, conta Celso Arruda, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas. “O equipamento será obrigatório para crianças de até 10 anos”.

Se a normatização é benéfica – estimativas existentes hoje indicam que 2,7 mil crianças morrem todos os anos no trânsito brasileiro –, ela poderá esbarrar em uma série de problemas. Para solucionar pelo menos um deles, os pesquisadores da Unicamp, com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvem uma linha de pesquisa que resultou em um produto tecnológico.

“O ‘dummie’ [boneco usado em testes de colisão de veículos] feito por nós é o primeiro nacional. Por causa do baixo custo, cerca de R$ 1 mil, ele poderá ser bastante utilizado nos pré-testes nacionais”, explica Arruda, orientador da pesquisa conduzida pelo engenheiro Alexandre Jorge, pesquisador da Faculdade de Engenharia Mecânica.

Segundo Arruda, não são feitos testes de colisão voltados para o universo infantil hoje no Brasil. Um dos motivos é o custo, de aproximadamente US$ 15 mil. “Além disso, ninguém aqui tem todas as famílias necessárias de bonecos, que sejam equivalentes a crianças de zero a 10 anos”, explica.

O protótipo feito de fibra de vidro e recheado com instrumentos usados na medição dos impactos sofridos pelo corpo no interior de um veículo, destaca Arruda, é útil para testes preliminares. “Os interessados poderão fazer todos os testes iniciais com os nossos bonecos. Quando o equipamento estiver respondendo bem, pode-se então partir para os testes finais, que são aqueles que custam US$ 15 mil, diminuindo o número de testes necessários”, afirma o pesquisador da Unicamp.

Segundo Arruda, existe no mundo hoje apenas duas empresas que fabricam bonecos para testes automobilísticos, uma na Holanda e outra nos Estados Unidos. “Estamos no processo de patenteamento desse dummie, que deverá virar produto em breve”, avisa.





Agência Fapesp




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