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Tecnologia
Quinta - 21 de Setembro de 2006 às 11:01

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Um foguete inovador e de baixo custo, que pode levar o Brasil a fazer lançamentos mais freqüentes, é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido no Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília (UnB). O projeto, que integra o Programa Uniespaço, da Agência Espacial Brasileira (AEB), é um dos 15 em andamento com o objetivo de criar inovações tecnológicas para o programa nacional.

“Os pesquisadores da UnB fizeram um trabalho exemplar. Considerando que a idéia inicial era apenas desenvolver um propulsor híbrido, eles foram muito além e fizeram um foguete completo que poderá chegar a 50 quilômetros de altitude”, disse José Bezerra Pessoa Filho, chefe da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), vinculado ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), à Agência FAPESP. Pessoa Filho é um dos responsáveis pela avaliação dos projetos do Programa Uniespaço.

O protótipo da equipe coordenada pelo professor Carlos Alberto Gurgel, na UnB, foi feito de alumínio e conta com uma tecnologia inédita na América Latina: o motor tem um sistema de propulsão híbrido, que funciona a partir da mistura de um oxidante líquido, o óxido nitroso (N2O), e outro combustível sólido, a parafina usada na fabricação de velas. Em até dois anos deverá ocorrer o lançamento experimental do protótipo.

Segundo Pessoa Filho, a nova tecnologia permitiria manter as equipes das bases de Alcântara (MA) e da Barreira do Inferno (RN), localizadas próximo ao Equador, operando continuamente. “Como atualmente a freqüência dos lançamentos brasileiros é relativamente baixa, os técnicos ficam boa parte do tempo trabalhando na manutenção dos equipamentos”, disse.

“Com esse foguete – e com lançamentos mais freqüentes –, poderemos testar dispositivos de segurança, sistemas de rastreamento das bases e a recuperação de foguetes em alto mar, por exemplo”, disse o chefe da Divisão de Sistemas Espaciais do IAE. O custo de lançamento do foguete desenvolvido na UnB, segundo Pessoa Filho, será de 20 a 30 vezes menor do que o dos modelos atuais para tais testes.

O novo veículo também apresenta alto nível de segurança, uma vez que seus combustíveis não são tóxicos ou explosivos. Eles também são de fácil produção e podem ser encontrados em abundância na natureza.

Em novembro, todos os trabalhos apresentados ao Uniespaço completam 24 meses de duração. Na ocasião, será realizada uma apresentação conjunta dos resultados finais de cada um dos projetos. O evento, voltado para os setores acadêmico e empresarial, será em São José dos Campos, interior paulista. Até o fim do ano, a AEB abrirá um novo edital para a seleção de novos projetos para o Programa Uniespaço.

“Dos 15 projetos apoiados nos últimos dois anos, pelo menos 12 serão aplicados nas atividades da AEB, em áreas como lançamentos de foguetes, veículos espaciais, computadores de bordo para satélites e materiais destinados a altas temperaturas”, disse Pessoa Filho.



Agência Fapesp




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