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Saúde
Sexta - 20 de Outubro de 2006 às 15:23

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Índices de morte, tanto gerais, quanto por câncer, são consideravelmente maiores entre pessoas que trabalham em fábricas de computadores e de componentes eletrônicos em comparação com a população em geral, afirma uma pesquisa publicada no periódico Environmental Health.

Apesar de resultados parecidos terem sido obtidos por estudos com pessoas que trabalham em fábricas de computadores, semicondutores, circuitos integrados e outros componentes, a nova pesquisa envolve a maior base de dados recolhida até agora, disse o doutor Richard W. Clapp, em relatório.

Uma ordem judicial exigiu que a IBM forneça a "ficha de mortalidade corporativa" mantida pela empresa. Ela inclui dados de 31.941 pessoas falecidas que trabalharam em fábricas da companhia por pelo menos cinco anos. Os dados incluem sexo, data de nascimento e data e causa da morte no período de 1969 a 2001.

Advogados de queixosos entregaram os registros da IBM para Clapp, um epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, para que ele encontrasse padrões de excesso de mortandade entre os funcionários. Os resultados mostraram que entre os funcionários da empresa, índices proporcionais de mortalidade foram de 107 em homens e de 115 em mulheres, em média, na comparação com a população em geral.

Câncer parece ter como alvo órgãos específicos, tanto que entre homens, os índices proporcionais de mortalidade foram de 166 para cânceres que afetam o cérebro e o sistema nervoso central, 179 para melanoma e 126 para câncer do pâncreas. Em mulheres, os índices foram de 212 para câncer nos rins e 163 para câncer que afeta tecidos linfáticos ou hematopoiéticos.

O pesquisador encontrou também número excessivo de mortes causadas por esclerose múltipla, mal de Parkinson e Esclerose Lateral Amiotrófica (ALS, na sigla em inglês).

Em seu estudo, Clapp cita que funcionários foram rotineiramente expostos a solventes e produtos químicos como foto-resistores; metais como arsênio, níquel e crômio; campos eletromagnéticos como luz ultravioleta, radiofrequência e radiação de raios X.

"Quando comparadas quatro fábricas no país, as descobertas são notavelmente similares, revelando excesso de câncer cerebral, linfoma non-Hodgkin, de rins, principalmente entre os trabalhadores da produção", disse Clapp à Reuters Health.

A IBM pode ainda estar à frente do trabalho da Clapp, acrescentou o epidemiologista, "porque eles têm dados a que nós não tivemos acesso, como cargos, grupos de trabalho, tipos e duração de exposições a agentes carcinogênicos". Apesar disso, Clapp é otimista, uma vez que "alguns desses tipos de câncer são identificáveis, incluindo o linfoma non-Hodgkin e câncer de rim, de modo que é possível encontrar o câncer numa fase inicial e de tratamento mais fácil", especialmente quando a administração tem ciência de quem está exposto a mais riscos.





Reuters




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