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Ciência
Segunda - 19 de Agosto de 2002 às 10:48

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Por Andrew Quinn

SAN FRANCISCO (Reuters) - Mais de 76 milhões de pessoas, a maioria crianças, morrerão de doenças relacionadas à água até 2020, a não ser que sejam tomadas medidas urgentes para limpar as fontes do planeta, de acordo com estudo divulgado na sexta-feira.

O relatório do Pacific Institute of Oakland, Califórnia, feito como preparativo para a Cúpula da Terra que acontecerá neste mês em Johanesburgo, afirma que o número de mortes previstas em decorrência do uso de água suja pode ultrapassar o de mortes causadas pela pandemia global de Aids nas próximas duas décadas.

"Até 76 milhões de pessoas -- a maioria crianças -- morrerão de doenças evitáveis ligadas à água até 2020, mesmo se os atuais objetivos das Nações Unidas forem alcançados", disse Peter H. Gleick, diretor de pesquisa do instituto.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo vive sem acesso a água potável e que 2,5 bilhões não têm acesso a saneamento. Elas são vulneráveis a doenças fatais, de diarréia a coléra, febre tifóide e doenças transmitidas por insetos.

O relatório do Pacific Institute examinou três cenários diferentes e concluiu que, mesmo se os objetivos das Nações Unidas de diminuir à metade a proporção de pessoas sem acesso a água potável forem cumpridos, entre 34 e 76 milhões de pessoas ainda sofrerão nos próximos vinte anos.

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"No cenário mais otimista que examinamos, a taxa de mortes por doenças relacionadas à água ainda é assombrosa", disse Gleick. "Essa tragédia escondida forma um dos maiores fracassos do século 20".

Em comparação, a ONU estimou recentemente que, sem a ampliação de programas de prevenção, a Aids matará 65 milhões de pessoas até 2020.

"Os números são comparáveis", disse Gleick em entrevista. "De algumas maneiras o problema da água é pior. Há doenças que sabemos como prevenir, e são as crianças pequenas quem mais morrem. É realmente um problema horrível ao qual não estamos dando atenção suficiente".

O Pacific Institute disse que uma das causas da crise da água é a atual ênfase que muitos países dão à construção de sistemas grandes e centralizados, que não podem ser mantidos por recursos locais. Sistemas menores, comunitários, são ignorados nos planos de desenvolvimento, afirmou.

"É hora de mudar de direção, para um "padrão leve" que se sustenta em sistemas em menor escala, desenhados, construídos e operados por grupos locais", disse Gleick

Acredita-se que entre dois milhões e três milhões de pessoas morrem por ano por causa de doenças causadas pela água, a maioria delas crianças de países em desenvolvimento, vítimas de diarréia forte, mas evitável.

A Organização Mundial de Saúde, em relatório emitido em 2000, estimou que já há quatro bilhões de casos de diarréia por ano, que matam cerca de cinco milhões de pessoas.

CENÁRIOS

O relatório do Pacific Institute coloca diversos cenários para as mortes no futuro.

Se nenhuma ação for tomada com relação a problemas que vão da escassez à contaminação em fronteiras disputadas, além do impacto da mudança climática global, cerca de 135 milhões de pessoas morrerão.

O melhor cenário do relatório estima entre 34 milhões e 76 milhões de mortes caso os objetivos oficiais do programa da ONU sejam alcançados até 2015 e continuarem até 2020.

Melhorar o acesso à água não é barato. Um encontro internacional em Estocolmo neste mês calculou que os gastos mundiais com água devem crescer pelo menos 35 por cento -- ou 25 bilhões de dólares por ano -- para que os objetivos do programa Millenium da ONU sejam atingidos.

Gleick disse que a África do Sul, anfitriã da Cúpula da Terra, deu um exemplo de sucesso de política de acesso à água, lembrando que o governo fez esforços para envolver as comunidades locais no planejamento.

"Eles fizeram um compromisso sério para fornecer água para toda a população da África do Sul", disse Gleick. "Ainda não chegaram lá, mas estão chegando com sistemas de comunidade, trabalhando com governos locais e grupos de usuários da comunidade para identificar as melhores maneiras de suprir as necessidades".





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