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Telecomunicações
Quarta - 11 de Dezembro de 2002 às 08:16

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SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Telemar, José Fernandes Pauletti, acredita que é improvável que as operadoras de telefonia fixa local fechem ainda este ano o negócio que prevê a compra do controle da Embratel.

As três grandes operadoras locais - Telefónica e Brasil Telecom, além da Telemar - articulam a constituição de um fundo de investimentos no exterior que assumiria a Embratel Participações e passaria a gerir as operações da empresa no Brasil. A Embratel é controlada hoje pela WorldCom, protagonista da maior falência da história norte-americana.

"Acho difícil fechar um negócio até o final do ano'', declarou Pauletti nesta terça-feira a jornalistas, depois de ter participado do lançamento do livro "O Novo Brasil'', organizado pelo diretor-presidente da Gazeta Mercantil, Luiz Fernando Levy.

"Tem dificuldades pela frente e, antes disso, é difícil falar em data'', afirmou o presidente da Telemar. "Essa é uma idéia que ainda está sendo analisada''.

Um dos obstáculos é a legislação do setor de telecomunicações, que veta a fusão da Embratel com operadoras locais. Além disso, mudança no controle acionário da Embratel só poderia acontecer a partir de agosto de 2003, quando completam-se cinco anos de privatização da antiga Telebrás.

A Embratel tem dívidas de 800 milhões de dólares vencendo em 2003, mas já deu início a um processo de renegociação com os credores. Na expectativa de uma solução para as dificuldades da Embratel, os papéis da operadora se valorizaram em mais de 75 por cento desde 13 de novembro.


INVESTIMENTO CONTROLADO


Pauletti estima que os investimentos da Telemar em 2003 ficarão abaixo do 1,8 bilhão de reais deste ano, com foco na expansão da Oi, operadora de telefonia móvel que conquistou 1 milhão de clientes em quatro meses de funcionamento, sendo que 75 por cento destes vieram de concorrentes.

"Os investimentos serão apenas para manter a qualidade do serviço de telefonia fixa e um pouco mais em comunicação de dados e longa distância'', disse.

A Telemar tem atualmente 3 milhões de linhas instaladas ociosas. Embora venha ativando cerca de 350 mil telefones por mês, a taxa de desligamento mensal vem praticamente anulando esse crescimento. A principal razão, segundo Pauletti, é a inadimplência.

Levantamento da Telemar indicou que cidadãos das classes D e E têm apenas seis reais por mês para gastar com serviços de telecomunicações, enquanto a assinatura básica mensal é de mais de 20 reais.

A elevação mais acentuada dos preços nos últimos meses não provocou até o momento uma explosão na inadimplência. A Telemar trabalha com uma projeção de inflação inferior a dois dígitos em 2003 e descarta que uma mudança no índice de reajuste das tarifas telefônicas, como quer o futuro governo, possa melhorar o quadro. "Só o que resolve agora é ter crescimento'', disse Pauletti.





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