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Astronomia
Terça - 04 de Fevereiro de 2003 às 09:26

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Centro Espacial Johnson (EUA), Reuters - Especialistas que investigam o colapso do ônibus espacial Columbia centralizaram as pesquisas hoje no surto de calor no lado esquerdo da nave pouco antes de ela se desintegrar. Enquanto isso, forças-tarefa vasculharam os Estados do Texas e Louisiana à procura de destroços e restos dos corpos dos sete tripulantes do Columbia.

Pelo terceiro dia, centenas de policiais e soldados realizaram buscas dos destroços do ônibus espacial mais antigo da Nasa em uma vasta região entre os territórios dos dois Estados. O primeiro vôo do Columbia foi realizado há 22 anos.

Restos dos corpos, fragmentos e pedaços do Columbia foram lançados sobre uma área de 160 quilômetros de extensão e 16 quilômetros de largura, quando o Columbia se desintegrou ao entrar na atmosfera terrestre sobre o Texas, apenas 16 minutos antes de aterrissar no sábado (1º).

"A área dos destroços é bastante grande e ainda está sendo determinada", disse o general Michael Kostelnik, vice-administrador-assistente da Nasa, em entrevista coletiva. "Hoje descobrimos que há mais coisas a oeste do que havíamos previsto", disse ele.

Cientistas da Nasa debruçaram-se sobre uma pilha de dados em busca de pistas do acidente, enfocando suas pesquisas, a princípio, sobre a onda de calor no lado esquerdo da Columbia, além de uma manobra de correção incomum gravada com nitidez pouco antes do ônibus espacial partir-se em pedaços.

Dados transmitidos pelo Columbia mostraram que a temperatura do lado esquerdo da fuselagem aumentou 32ºC em cinco minutos enquanto a nave entrava na atmosfera.

A Nasa investiga se pode ter ocorrido algum dano no revestimento térmico de cerâmica do Columbia. A asa esquerda do ônibus espacial sofreu uma forte pancada 80 segundos depois do lançamento no isolamento de seus tanques de combustível, mas os engenheiros da Nasa acreditam que isto não tenha ocasionado nenhum dano no revestimento contra o calor.

Bill Readdy, chefe do programa de vôo da Nasa, disse que um relatório interno do 12º dia da missão do Columbia indicou que "a avaliação da missão foi de que as análises térmicas [apontavam] um possível dano estrutural localizado, mas nenhuma questão de vazamento ou de segurança de vôo".

O pedaço de espuma que se rompeu do tanque de gasolina tinha um tamanho estimado de 30 polegadas (76,2 centímetros) por sete polegadas (17,78 centímetros), disse Readdy.

Destroços

Pedaços do Columbia serão enviados para a Base da Força Aérea Barksdale perto de Shreveport, Louisiana, onde o comitê independente indicado pela Nasa para investigar o desastre deve ter a primeira reunião na próxima segunda-feira (10). O comitê será presidido pelo almirante da Marinha Harold Gehman, que co-presidiu uma comissão independente que investigou o ataque no destróier USS Cole, no Iêmen.

Esta investigação será conduzida paralelamente a uma avaliação interna da própria agência espacial.

Em Washington, o chefe da Nasa, Sean O'Keefe, informou o presidente norte-americano, George W. Bush, sobre os fatos do dia. Após o encontro, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse a repórteres que "o presidente acha que o programa espacial deve continuar. Somos uma sociedade que não parou e nunca será parada em nossos avanços".

O orçamento proposto por Bush para o ano fiscal 2004 aumentou os gastos em programas espacial de US$ 3,2 bilhões para US$ 3,9 bilhões. O total do orçamento proposto para a Nasa recebeu um aumento de US$ 469 milhões, atingindo um total de US$ 15,47 bilhões.

O pedido de orçamento para a Nasa foi decidido antes do desastre de sábado, disse Fleischer. O orçamento não mudou durante o fim de semana, afirmou.

A Casa Branca anunciou ainda que Bush não leu uma carta enviada para ele por um ex-funcionário do setor de segurança da Nasa, alertando que poderia haver uma catástrofe em alguma nave espacial se ele não interviesse para corrigir falhas de segurança na agência.

No entanto, um assessor de ciência do governo leu a carta e rejeitou o pedido do funcionário para limitar o número de tripulantes nos vôos espaciais até que fosse construída uma cápsula de fuga.

O jornal "The New York Times" informou hoje que a Nasa removeu cinco dos nove integrantes de um comitê de segurança depois que a comissão alertou que o programa espacial poderia enfrentar problemas de segurança caso o orçamento da agência não fosse aumentado.

Alguns especialistas dizem que foram afastados do comitê para anular suas críticas.




URL Fonte: http://homenews.com.br/noticia/734/visualizar/