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Tecnologia
Quarta - 26 de Fevereiro de 2003 às 10:53

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Os Estados Unidos e a China declararam que estão se unindo oficialmente ao projeto do Reator de Energia Termonuclear Internacional (Iter), o maior empreendimento mundial de ciência depois da Agência Espacial Internacional.

O projeto tem como objetivo a obtenção de energia por meio da fusão nuclear – a mesma fonte de energia do Sol e outras estrelas.

Os defensores dessa forma de energia dizem que, no futuro, ela pode ser barata e ecológica, apesar de seu desenvolvimento ser longo e bastante caro.

Um quilo do material no processo pode produzir a mesma quantidade de energia que dez milhões de quilos de combustível fóssil.

Fontes alternativas

O Iter será construído nos próximos dez anos e custará cerca de US$ 5 bilhões.

A construção do reator começará em 2006 e será concluída em 2014. As pesquisas devem durar 20 anos.

Os países membros do projeto irão dividir os custos e devem fornecer a maioria dos componentes do reator.

O projeto tem o objetivo de fazer a transição entre os reatores de fusão que já existem e a primeira usina com fins comerciais.

A direção do projeto espera decidir a localização do reator nos próximos anos e deve se encontrar novamente em Viena, em maio deste ano.

Estados Unidos e China

O anúncio da participação dos Estados Unidos e da China foi feito durante o 8º Encontro para Negociações do Iter, do qual participaram também delegações do Canadá, União Européia, Japão e Rússia.

Os Estados Unidos haviam se retirado das negociações do Iter para realizar uma reavaliação de sua política sobre a fusão nuclear. Mas, após a revisão, o país anunciou que está comprometido a desenvolver este tipo de energia.

As declarações americanas reiteraram o anúncio feito recentemente pelo presidente George W. Bush de que "os resultados do Iter vão criar avanços nos esforços para produzir energia de fusão comercialmente disponível, limpa, segura e renovável na metade deste século".

"Iter também cria uma forma efetiva em termos de custos para prosseguir com a pesquisa de fusão em todo o mundo, com a colaboração dos envolvidos, dividindo os custos de construção e operação do projeto", afirmou o secretário de Energia dos Estados Unidos, Spencer Abraham.

A China declarou que, como o maior país em desenvolvimento do mundo, tem uma grande necessidade de buscar fontes alternativas de energia.

Como funciona

Em uma reação de fusão nuclear, a energia é produzida quando átomos leves são fundidos, formando átomos mais pesados – em um processo similar ao usado pela bomba H.

Para usar as reações de fusão como fonte de energia, é preciso esquentar gás a temperaturas mais altas do que 100 milhões de graus Celcius – bem mais quente do que o centro do Sol. Nestas temperaturas, o gás vira plasma.

Sob essas condições, as partículas de plasma, produzidas a partir de deutério e trício, se fundem formando hélio e neutrônios de alta velocidade, liberando quantidades extraordinárias de energia.

Uma usina comercial utilizará o calor gerado pelos neutrônios, reduzindo sua velocidade com o uso de placas feitas de um material mais denso (o lítio), para gerar energia.

Os combustíveis usados são virtualmente inesgotáveis. Deutério e trício são isótopos do hidrogênio. O deutério é extraído da água e o trício pode ser produzido a partir do lítio, um metal leve encontrado em todo o mundo.

Fonte: BBC Londres




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