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Ciência
Quarta - 30 de Abril de 2003 às 13:47

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Cientistas britânicos dizem ter encontrado a primeira evidência conclusiva de que os peixes podem sentir dor.

A descoberta complementa estudos anteriores, que revelaram que pássaros e mamíferos podem sentir dor, e questiona teorias a respeito da ausência de percepção de dor nos peixes.

Os cientistas encontraram áreas na cabeça das trutas que responderam a estímulos destrutivos.

Eles também descobriram que os peixes apresentaram determinadas reações quando expostos a substâncias nocivas.

Mudanças fisiológicas

A pesquisa, feita por uma equipe do Instituto Roslin em parceria com a Universidade de Edimburgo, foi publicada na revista científica Proceedings da Royal Society, a academia britânica de ciência.

Os pesquisadores, liderados pela doutora Lynne Sneddon, dizem que "profundas mudanças comportamentais e fisiológicas" apresentadas pela truta após exposição a substâncias nocivas são comparáveis àquelas observadas em mamíferos.

Os cientistas estudaram o peixe para verificar a presença de áreas que respondem a estímulos destruidores de tecidos do animal.

Os estímulos, de ordem mecânica, térmica e química, foram produzidos na cabeça do peixe anestesiado, e durante esse processo, a atividade dos neurônios do animal foi monitorada.

"Encontramos 58 receptores na face e na cabeça da truta que responderam a pelo menos um estímulo", disse Sneddon. "Entre esses, 22 responderam a pressão mecânica e também foram estimulados quando aquecidos acima de 40 graus Celsius".

"E 18 receptores também responderam a estímulos químicos", acrescentou.

Os receptores sensíveis a estímulos químicos encontrados nos peixes se assemelham aos presentes em anfíbios, pássaros e mamíferos, incluindo humanos.

A resposta a estímulos mecânicos, entretanto, parece ser menor do que a verificada na pele humana, por exemplo. Os pesquisadores acreditam que isso aconteça porque a pele do peixe é mais facilmente danificada.

A mera presença de áreas sensíveis a estímulos desse tipo em animais não é suficiente para provar que eles sentem dor, porque a reação pode ser um reflexo.

Para uma prova concreta, era necessário demonstrar que o comportamento do peixe é afetado por uma experiência potencialmente dolorosa e que essas mudanças comportamentais não são respostas reflexo.

Os cientistas então injetaram veneno de abelha e ácido acético nos lábios de algumas das trutas. Outras receberam injeções com água salgada e algumas foram simplesmente manipuladas.

Sneddon disse que as trutas injetadas com veneno de abelha e ácido acético apresentaram comportamento anômalo.

"Os peixes apresentaram um movimento repetitivo, semelhante ao observado em mamíferos vertebrados", ela explicou.

"Observamos que as trutas injetadas com ácido também esfregaram seus lábios em pedregulhos e nas paredes do tanque. Essas não parecem ser respostas reflexo."

Segundo Sneddon, o trabalho da equipe "respeita os critérios para a dor em animais".

A Fish Veterinary Society, entidade que reúne veterinários de peixes, descreveu a pesquisa como "uma contribuição interessante para o debate."


Fonte: BBC Londres




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