Homenews - homenews.com.br
Tecnologia
Quarta - 30 de Abril de 2003 às 13:59

    Imprimir




(ABr) - Informática, biotecnologia e espaço. Essas são as principais áreas em que Brasil e Índia têm acordo de cooperação científica e tecnológica. Esses laços devem estreitar-se no governo Lula, segundo relato do embaixador indiano no país, Amitava Tripathi. Ele esteve reunido, hoje, com o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, para cumprir agenda diplomática de visita a novos ministros e também para mostrar o interesse da Índia em ampliar as relações de cooperação.

Amaral ressaltou o desejo do presidente Luís Inácio Lula da Silva em fazer com que ciência e tecnologia estejam acessíveis aos povos menos favorecidos de forma a proporcionar-lhes uma vida melhor. "E nós, particularmente, damos total e incondicional apoio a essa idéias", afirmou Tripathi. O embaixador disse ainda que há muita troca de informação entre Índia e Brasil, inclusive documental, e também intercâmbio de cientistas. "Mas acreditamos que há muito mias a fazer em termos de cooperação", adicionou.

O embaixador registrou também que o ministro foi receptivo às idéias apresentadas, como também incluiu o semi-árido como ponto de intensificação de ajuda científica e tecnológica. A Índia também tem várias áreas em processo de desertificação, fenômeno verificado, no Brasil, em áreas como Gilbués (PI), Cabrobó (PE) e Jalapão (TO).

Informática foi uma das áreas mais destacadas por Tripathi na conversa com Amaral. Ele ofereceu a tecnologia indiana para o desenvolvimento do supercomputador brasileiro, plano alimentado pelo governo e por técnicos da área há alguns anos. A Índia é um dos cincos países que desenvolveu o supercomputador, equipamento de alta performance no armazenamento e troca de dados e, participou, há quatro anos, de licitação coordenada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para participar do projeto brasileiro.

"Somos o primeiro país na área de software e, certamente, temos muito com o que colaborar com o Brasil, nesse segmento", disse o embaixador indiano. Segundo ele, as negociações estão em andamento, embora ainda sem definição. Especialistas do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e do Centro de Desenvolvimento Avançado de Computador, na Índia, já se contataram várias vezes desde que a Finep abriu licitação para desenvolver o equipamento.

A prova de que a Índia é uma grande potência na área de software está na presença ostensiva de engenheiros e outros técnicos indianos no Vale do Silício, na Califórnia, que concentra a produção de peças e acessórios de informática dos Estados Unidos. "Hoje, 27% dos cientistas que lá trabalham no desenvolvimento de software são indianos. Além disso, 40% dos vistos de trabalho emitidos pelos Estados Unidos são para indianos", contou Tripathi. Ele afirmou que a tecnologia indiana, na área de software, foi quem salvou os computadores do mundo, da perda total de dados por causa do Bug do Milênio, na virada de 1999 para 2000. A Índia era o único país a ter domínio da linguagem Cobol, usada para desenvolver os primeiros softwares.

O embaixador da Índia disse que seu país tem interesse em aprofundar a cooperação na área de biotecnologia, porque o Brasil é detentor da maior biodiversidade do mundo e, além disso, a Índia também tem alta diversidade de espécies. Ele acredita que os dois países podem atuar juntos na busca por maior proteção de seus conhecimentos tradicionais, o classificou de "herança nacional", presente nas plantas, animais e outras espécies vegetais. "Índia e Brasil têm forte cooperação no âmbito da Organização Mundial do Comércio e é importante que os dois países reforcem essa troca nos aspectos técnicos, legais e diplomáticos, não só de mercado", explicou.

Na área espacial, a Índia tem interesse em oferecer seus especialistas para o aperfeiçoamento da tecnologia de sensoreamento remoto. Além disso, os indianos têm interesse em lançar satélites brasileiros a partir de seus foguetes e também pretendem ajudar no desenvolvimento das estações de lançamento brasileiras.

Tripathi ofereceu ao ministro Roberto Amaral um livro sobre o Rajastão, estado que fica a oeste da Índia e conhecido por sua diversidade de cores. "Há uma profusão de cores que se vê nas plantas, nos animais, nos acidentes topográficos e também nos tecidos", disse o embaixador.





URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/1008/visualizar/