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Ciência
Quinta - 08 de Maio de 2003 às 14:13

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(ABr) - Cientistas do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos (Fea) da Unicamp estão estudando a ação antiinflamatória dos ácidos graxos poliinsaturados ômega-3, um tipo de gordura benéfica ao organismo humano, em processos degenerativos como a artrite reumática e em quadros inflamatórios resultantes de atividades físicas intensas. Os testes, que foram iniciados com atletas de alta performance e agora prosseguem com ratos, são feitos a partir da administração de uma suplementação dietética contendo uma associação dos ômega-3 com a vitamina E, esta última um antioxidante que combate os radicais livres, moléculas que contribuem, por exemplo, para o envelhecimento.

Coordenador da pesquisa, o professor Admar Costa de Oliveira explica que os estudos foram iniciados com atletas de Presidente Prudente, cidade paulista com tradição no fomento aos esportes olímpicos. A certa altura do trabalho, no entanto, a equipe teve que se separar devido à reforma do centro de atletismo, e os pesquisadores da Fea tiveram que dar continuidade ao trabalho com ratos. De acordo com ele, todo esportista que é submetido a um grande esforço físico tende a sofrer lesões musculares em algum momento da carreira.

Quando isso acontece, o problema normalmente é tratado com o auxílio de drogas antiinflamatórias, procedimento que muitas vezes acarreta efeitos colaterais indesejados. O estudo coordenado por Oliveira objetiva verificar como é a ação dos ômega-3, associados com a vitamina E, no papel de mediadores bioquímicos de eventuais inflamações. "Como os ômega-3 têm a propriedade de atenuar os processos inflamatórios, queremos verificar até que ponto são capazes de reduzir a necessidade da administração de medicamentos no tratamento de lesões desse tipo", esclarece o professor.

Quando ocorre uma inflação, afirma Oliveira, o organismo gera compostos químicos e bioquímicos. É por meio da análise desses elementos que os especialistas avaliam a eficácia dos ômega-3 na redução ou prevenção da lesão. "Quando os compostos aparecem em maiores quantidades, é sinal que a lesão se instalou. Se são identificados em menores quantidades, é sinal que os ômega-3 funcionaram", ensina Oliveira. Cápsulas gelatinosas contendo os ácidos graxos e a vitamina E constituem a suplementação dietética fornecida pelos pesquisadores aos ratos. Posteriormente, os animais são submetidos a esforços físicos em uma esteira e em um tanque com água para natação.

Segundo o coordenador, os ômega-3 podem ser encontrados nos alimentos, mas em quantidade menor do que a presente na suplementação dietética usada nos testes laboratoriais. Esse tipo de gordura, embora seja essencial para a saúde, não é produzida pelo organismo humano. Está presente principalmente nos peixes marinhos de águas frias (salmão, atum, arenque, bacalhau) e em menores concentrações em peixes de água doce. Conforme a expectativa de Oliveira, o estudo, que é objeto de uma tese de doutorado financiada em parte pela Universidade do Oeste Paulista (Unioeste), deve estar concluído em um ano.

A equipe liderada por Oliveira conduz uma outra pesquisa relacionada aos ômega-3. Com esta, que também usa ratos para as experiências, se pretende verificar como é a ação dos ácidos graxos no organismo, mas sem o auxílio da vitamina E. Para isso, os pesquisadores têm que estabelecer um parâmetro de comparação. Assim, uma suplementação dietética contendo ômega-3 e vitamina E é fornecida a um grupo de animais, enquanto uma outra, contendo apenas os ácidos graxos, é dada a um segundo grupo. Em seguida, a partir de compostos químicos, os especialistas medem a oxidação ocorrida no sangue e no fígado dos roedores.

O docente da Fea explica que os ácidos graxos ômega-3 são muito suscetíveis à oxidação, o que pode levar à produção de radicais livres, que são danosos à saúde. Já a vitamina E, considerado o mais importante antioxidante ao nível celular, funciona como um inibidor desse processo, preservando o tecido. O trabalho é objeto de uma tese de doutorado, que deverá ser defendida em um mês. A pesquisa conta com bolsa fornecida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Outra linha de pesquisa coordenada pelo professor Oliveira investiga a possível ação pré-biótica de quatro leguminosas (feijão-comum, ervilha, lentilha e grão-de-bico). Os cientistas querem saber, a partir de experiências realizadas com ratos, qual desses alimentos contribui mais significativamente para o aumento de bifidobactérias e bactérias lácticas na flora intestinal. Elas são responsáveis pelo combate a microorganismos que causam enfermidades no homem.

De acordo com o professor, a ciência já tem indicativos de que esses grãos têm ação pré-biótica. Uma dieta balanceada que os contenha ajuda o organismo humano a se precaver contra doenças. O que os pesquisadores querem saber agora é qual deles contribui mais decisivamente para a ampliação do número de bifidobactérias e bactérias lácticas no intestino humano. Financiado pela Fapesp, o estudo deve ser concluído em um ano.

Oliveira adianta, porém, que dados preliminares indicam que a ervilha é o grão com maior potencial pré-biótico. "Por meio de ensaios biológicos em ratos, temos condições de avaliar a contribuição de cada uma dessas leguminosas para o enriquecimento da flora intestinal. As bifidobactérias e as bactérias lácticas são muito importantes para o homem, pois concorrem com vantagens com os microorganismos que podem causar doenças", explica. A linha de pesquisa, conforme Oliveira, gerou duas teses, uma de mestrado e outra de doutorado, cujas bolsas foram concedidas pelo CNPq. (JUnicamp)






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