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Informática
Quinta - 05 de Setembro de 2002 às 09:16

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Por Bernhard Warner

LONDRES (Reuters) - "Quem liga?" Perguntou Sebastian, aluno da Universidade Técnica de Darmstadt, Alemanha, ao ser informado da liquidação do Napster, que ocorrerá na quinta-feira.

"Todo mundo adotou outros serviços de troca de arquivos. O interesse pelo Napster na comunidade de Internet não era tão grande como todo mundo achava", disse o engenheiro de 28 anos.

No seu auge em 2000, o Napster atraiu dezenas de milhões de fãs de música, que trocaram de tudo na rede: de singles de Eminem a gravações raras de shows alternativos.

Para desconsolo das grandes empresas de mídia, o Napster introduziu o conceito de compartilhar arquivos para uma geração inteira de jovens, que agora troca uma ampla variedade de material protegido por direitos autorais --filmes, games, de tudo--, levando Hollywood e os legisladores à loucura.

Com o legado do Napster de vento em popa, o serviço em si tornou-se um fantasma. Encerrou operações há um ano, em meio a um amontoado de problemas legais. Na quinta-feira, grupos de discussão na Internet sequer se davam ao trabalho de comentar o serviço que fora antes declarado inimigo número 1 das gravadoras.

O destino do Napster foi selado na quarta-feira, quando um tribunal de falências dos Estados Unidos recusou a oferta do grupo de mídia alemão Bertelsmann [BERT.UL] pela compra da companhia. A única opção é deixar de existir.

Um executor leiloará os ativos da empresa, incluindo o nome de marca, endereços de Web e tecnologias.

Executivos das gravadoras disseram que o fim do Napster não terá impacto na pirataria desenfreada de música e outros tipos de arquivo. Os herdeiros Morpheus MusicCity, Grokster e Kazaa conseguiram levar o escambo em níveis difíceis de controlar.

Diferente do Napster, que centralizava toda a troca de música em seus servidores, eles permitem que os usuários compartilhem qualquer tipo de arquivo diretamente entre si, tornando praticamente impossível interromper o serviço.

A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês), um dos principais inimigos da Napster, divulgou um obituário, sensível até certo ponto, para o finado serviço.

"A Napster tinha uma grande tecnologia, mas ela nunca teria sucesso até que conseguisse tornar essa tecnologia um modelo legítimo de negócios que respeitasse os direitos autorais dos artistas e das gravadoras", afirmou a IFPI em um comunicado.

Henry Wilson, fundador da Grokster, uma rede peer-to-peer (como são conhecidos os serviços de troca direta de arquivos) citada em um processo por empresas de filmes e de música por violação de direitos autorais, disse que a Napster saiu dos negócios antes de uma decisão final da justiça sobre a legitimidade das redes de trocas de arquivos.

"Eu não acho que pode-se dizer que esta foi uma vitória para as gravadoras", afirmou Wilson.





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