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Ciência
Sexta - 04 de Julho de 2003 às 10:16

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Uma nova técnica poderá permitir que homens armazenem seus espermas na geladeira de casa, ao invés de guardá-los em nitrogênio líquido em clínicas de fertilidade.

Cientistas acreditam que a técnica poderá acabar com a necessidade de congelar os espermatozóides, diminuindo o risco de trocas entre amostras.

A nova técnica, de secagem com ar, foi desenvolvida por pesquisadores do Centro de Reprodução Assistida de Jeddah, na Arábia Saudita.

No procedimento, uma amostra de esperma lavado é aplicada em uma lâmina de vidro e deixada por algumas horas para secar em um compartimento com circulação de ar controlada, impedindo que a amostra seja contaminada por bactérias.

Quando o esperma precisa ser usado, é colocado em contato com um fluído biológico criado originalmente para manter óvulos saudáveis.

Mobilidade

Acreditava-se antes que uma amostra de esperma seca com ar se tornaria inútil, pois perderia sua capacidade de nadar quando fosse hidratada novamente.

Entretanto, com o advento da técnica chamada de injeção intracitoplasmática de espermetozóides (ICSI) – em que um único espermatozóide é injetado diretamente no óvulo –, a falta de mobilidade não é mais um obstáculo para a fertilização.

Em algumas clínicas, a técnica ICSI está atingindo os mesmos níveis de sucesso da fertilização in vitro.

O estudo utilizou embriões formados a partir de 24 óvulos fertilizados com a técnica ICSI e espermatozóides reidratados.

Os pesquisadores descobriram que o processo de secagem por ar não impedia que os espermatozóides participassem dos primeiros estágios de fertilização.

No entanto, eles disseram que esses embriões demoravam mais do que outros criados a partir de esperma fresco para chegar à fase crítica de oito células.

O experimento foi considerado um sucesso pelos pesquisadores. "Nós acreditamos que nosso estudo confirma que o DNA do esperma é resistente à estragos durante a secagem com ar", afirmou Daniel Imodemhe, que coordenou a pesquisa.

"Nós estamos muito encorajados porque, mesmo sob condições experimentais, de 24 oócitos do grupo seco, dois embriões chegaram até a fase chamada de blástula. Acredita-se que só os embriões de melhor qualidade conseguem se desenvolver fora do corpo até esse estágio."

O uso de espermas secos por ar e armazenados em casa poderia livrar as clínicas de fertilização de boa parte de seus custos, já que a construção e manutenção de depósitos de nitrogênio é bastante cara.


Fonte: BBC




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