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Tecnologia
Segunda - 21 de Julho de 2003 às 10:00

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(Reuters) - A União Européia propôs uma aliança com o Brasil para o desenvolvimento de um padrão aberto de televisão digital que seja mais adequado às necessidades do país, levando em conta aspectos da tecnologia européia.

A estratégia marca uma mudança de tom do bloco, que antes defendia a importação completa de seu sistema de TV digital. E acontece após o governo brasileiro ter anunciado interesse em criar um padrão nacional em vez de comprar uma solução pronta.

"Estamos dispostos a fazer uma parceria em vários pontos e um acordo de pesquisa e tecnologia pode ser ratificado a curto prazo", afirmou na sexta-feira o comissário europeu para Indústria e Sociedade da Informação, Erkki Liikanen. Ele participou de seminário em São Paulo para apresentação do padrão europeu de TV digital, DVB-T.

A aliança proposta pelos europeus envolve financiamento de pesquisas entre Brasil e Europa, integração de redes brasileiras de alta velocidade com infra-estrutura de pesquisa européia e desenvolvimento de TV digital, disse Liikanen.

"É uma mudança de tom, antes a gente só podia escolher o que compraríamos, e agora nós estamos impondo o que queremos", disse o assessor especial do Ministério das Comunicações, Márcio Wohlers de Almeida, presente no evento.

O governo anunciou no começo do ano a intenção de desenvolver um padrão brasileiro de TV digital e em abril finalizou uma minuta de decreto para o início dos estudos. Segundo Wohlers, esse documento deve ser assinado pelo presidente da República "nas próximas semanas".

Após a publicação do decreto, o governo estima um prazo de 12 meses para a definição do padrão brasileiro de TV digital, que deverá incluir recursos de interatividade e acesso à Internet pelo aparelho televisor.

A idéia é aproveitar várias tecnologias existentes e integrá-las em um único pacote, que seria muito semelhante ao padrão europeu, disse o assessor. Além da tecnologia européia, o governo estuda o padrão dos Estados Unidos, ATSC, e do Japão, ISDB-T.

Integram o grupo de desenvolvimento brasileiro o Instituto Genius, vinculado à fabricante nacional Gradiente, e o CPqD, empresa privada de pesquisa dedicada a áreas de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.

O Brasil tem um parque de 54 milhões de aparelhos de televisão analógica, que não são capazes de acessar a Internet, ter recursos de interatividade ou alta qualidade de imagem, como promete a TV digital.

"Temos um enorme mercado interno e estamos aproveitando isso agora para negociar com os grupos interessados", afirmou Wohlers.




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