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Informática
Segunda - 04 de Agosto de 2003 às 11:18

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Internautas incomodados com a exxurrada de e-mails não-solicitados com ofertas de Viagra herbal ou esquemas que prometem riqueza em pouco tempo, agora estão tomando conhecimento de uma nova mensagem do tipo. A diferença é que os remetentes prometem reduzir a quantidade de spam que o usuário recebe em sua caixa postal.

Indicando sites com nomes como remove.org e globalremoval.com, as mensagens prometem - por uma determinada taxa - interromper o spam na fonte, incluindo o endereço da pessoa que "assinar" o serviço num registro de usuários que não querem receber as mensagens não-solicitadas.

Estes serviços afirmam ter encontrado uma nova e barata forma de reduzir as mensagens indesejáveis e apontam listas de consumidores satisfeitos como prova. Especialistas de governos e do setor privado dizem que tais serviços de "não quero spam" não deverão dar certo, uma vez que as empresas de vendas não têm obrigações legais a cumprir.

"Provavelmente não vale a pena assinar um serviço desses. Você poderá receber um monte de spam de graça", disse Howard Beales, chefe da divisão de proteção ao consumidor da Comissão de Comércio Federal.

Ironicamente, muitos dos serviços de "não quero spam" podem ter sido inspirados por uma iniciativa da FTC - a lista telefônica "não ligue", que promete manter os serviços de telemarketing na baia - e que passa a funcionar em outubro.

A popularidade da lista antitelemarketing e o sucesso de programas similares em nível estadual podem ter levado algumas pessoas a procurar por uma lista de "não quero spam."

O FTC e muitos especialistas em tecnologia dizem que uma lista de "não quero spam" apoiada pelo governo não adiantaria muito, uma vez que os distribuidores de mensagens não-solicitadas, diferentemente da turma do telemarketing, usualmente disfarçam suas identidades e, portanto, podem facilmente escapar de punição.

Além disso, alguns vendedores de listas podem enxergar na nova lista um catálogo excelente de e-mails válidos para serem vendidos para outros distribuidores de spam.

Enquanto as previsões de governo e especialistas por uma lista de anti-spam parecem duvidosas, companhias privadas fincam as bases para oferecer seus próprios serviços, muitas vezes também por meio de mensagens não-solicitadas.

Remove.org promete acabar com o spam na caixa postal de seus membros e proteger seus filhos de pornografia indesejada por US$ 9,95 (aproximadamente R$ 30) ao ano.

A companhia almeja cortar os vendedores da Internet que enviam mensagens não-solicitadas aos 50 mil membros da lista notificando os provedores de internet onde os vendedores da Internet têm suas contas de e-mail, informando que as pessoas que enviam tais mensagens podem estar violando o contrato de serviço com o provedor, afirma o diretor de marketing da Remove.org, Charles David.

"Vendedores da Internet que não desejam ter reclamações de consumidores ou enviar pornografia para crianças podem apagar de suas malas-diretas os endereços da nossa lista de membros", disse David - uma consideração importante quando o sentimento anti-spam cresce.

Outro serviço, globalremoval.org, delega aos vendedores da Internet procurar aqueles que estão cheios do spam. Consumidores pagam uma taxa de U$ 5 (R$ 15) por uma assinatura vitalícia e os vendedores ganham US$ 1 (R$ 3) para cada usuário que eles conseguem para o serviço. A lista é codificada para ficar fora do alcance dos criadores de spam.

O fundador da companhia, Tom Jackson, disse que o sistema já provou seu poder de atração, dizendo que dezenas de milhares de pessoas já assinaram o serviço nas últimas semanas, alguns em resposta à própria campanha da globalremoval.org's via e-mail.

"Se esta mensagem incomoda as pessoas, então eu digo: assine o serviço ou finja que foi só mais uma propaganda de Viagra e volte para a sua rotina de spam, e nós pedimos desculpas por tê-lo incomodados", disse Jackson.

Muitos especialistas da área de indústria e tecnologia dizem que as listas anti-spam não vão prosperar sem uma lei federal que regule a questão. "Até onde eu tenha conhecimento, esses serviços privados não são nada mais que enganação", disse Dave Brussin, chefe do escritório de tecnologia da ePrivacy Group, que deseja que o Congress aprove uma lista nacional.

O consultor da área de segurança de computadores, Richard M. Smith, afirma que usar pessoas que enviam spams para cortar spams gera conflito de interesses. "Isso cheira muito mal", disse.

"O conceito todo é um pouco suspeito", disse Louis Mastria, um porta-voz Associação de Marketing Direto, que representa muitos dos vendedores da Internet. "Eles não têm nenhum poder sobre esses caras, então não há serviço que eles possam garantir ou providenciar. Você gastou os seus R$ 10 e o que proveito você tira disso?", questionou.


Reuters




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