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Astronomia
Quarta - 10 de Setembro de 2003 às 07:57

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Por Hazel Muir, da New Scientist


Por que Marte é vermelho? A explicação geralmente aceita de que água líquida enferrujou suas rochas pode estar errada. Experimentos em laboratório imitando o meio ambiente de Marte sugerem que o tom vermelho do planeta veio de uma chuva de poeira de pequenos meteoros que caiu sobre a superfície. O resultado está animando o debate sobre se algum dia Marte poderia ter abrigado vida.

O mineral que dá cor ao planeta é um óxido de ferro avermelhado. Até agora os astrônomos acreditavam que provavelmente ele havia se formado em uma cadeia de reações químicas quando o ferro das rochas se dissolveu em lagos e rios no jovem planeta quente. O ferro se oxidou, precipitou e foi então soprado por todo o planeta.

Mas Albert Yen, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, Califórnia, começou a duvidar disso depois que a missão Mars Pathfinder chegou ao planeta vermelho em 1997. A missão revelou que existe mais ferro e magnésio no solo de Marte do que no interior de suas rochas. Isso sugere que os minerais na verdade vieram de pequenos meteoros ricos em metais e partículas de poeira que caem constantemente em Marte, diz Yen. Cálculos sugerem que eles depositam 5 centímetros de camada superficial a cada bilhão de anos.

Se for o caso, Marte talvez não tenha sido tão úmido, afinal. Para testar se esse solo teria precisado de água para se oxidar e tornar-se vermelho, Yen expôs ferro metálico à luz ultravioleta, simulando a luz do Sol, em uma câmara contendo gases semelhantes à atmosfera marciana em temperaturas de -60 graus centígrados.

Óxidos de ferro vermelhos começaram a se formar em uma semana. Não havia necessidade de água, Yen disse na reunião da divisão de ciência planetária da Sociedade Astronômica Americana semana passada em Monterey, Califórnia.

Yen não afirma que nunca houve água em Marte -as redes de vales e canais secos do planeta são uma boa evidência de que houve, ele diz. Mas o fluxo de água parece ter tido apenas um pequeno papel na formação da superfície.

"Existe uma espécie de paradoxo sobre Marte", concorda Joshua Bandfield, da Universidade Estadual do Arizona, em Tempe. Sua equipe mostrou recentemente que o planeta não tem grandes depósitos de carbonatos, o que deveria ter se lagos gigantes de água houvessem persistido na superfície.

Bandfield sugere que a água líquida deve ter brotado ocasionalmente do solo, escavando canais e grotas, mas rapidamente se congelou no frígido clima marciano.

Embora a descoberta faça parecer improvável a evolução de vida em Marte, Bandfield insiste que a tese não pode ser descartada: "Parece haver muito mais vida na floresta amazônica do que nos vales secos da Antártida. Mas se a pergunta é se existe ou não vida nesses climas, a resposta é sim para ambos".

Os cientistas planetários têm esperanças de que os veículos exploradores da Nasa projetem mais luz sobre a história de Marte quando chegarem ao planeta, em janeiro próximo. Yen diz que eles deverão resolver a questão de se existe poeira meteórica suficiente para explicar a cor de Marte.

"Estou me arriscando e fazendo uma previsão: acredito que os veículos encontrarão níquel no solo marciano", ele disse a "New Scientist". O níquel é abundante em muitos meteoros, mas raro nas rochas marcianas.




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