Homenews - homenews.com.br
Informática
Sexta - 20 de Setembro de 2002 às 10:40

    Imprimir



Por Andy Sullivan, Reuters

WASHINGTON - A última quinta feira marcou 20 anos que a Internet aprendeu a sorrir com Scott Fahlman, pesquisador da IBM que devotou sua vida profissional à inteligência artificial.

Fahlman é conhecido por seu trabalho com redes neurais --uma técnica computacional criada para imitar o cérebro humano-- e por ter ajudado a desenvolver a Common Lisp, uma linguagem de programação que usa símbolos em vez de números. Porém, o cientista barbado é talvez mais famoso por ter inspirado a definir a cultura da Internet, em toda a sua glória de erros gramaticais.

Em 19 de setembro de 1982 Fahlman digitou :-) em uma mensagem online.

Desde então, a carinha feliz (smiley) tornou-se item básico de qualquer comunicação online, permitindo a meninas de 12 anos e advogados de empresas a pontuar suas mensagens com um símbolo prático que significa "Ei, estou brincando".

A inovação de Fahlman tem inspirado desde aquela época a criação de incontáveis "emoticons" como ;-), para uma piscada, ou :-0, para mostrar surpresa.

"Eu certamente passei 10 vezes mais tempo falando com as pessoas sobre isso do que quando criei pela primeira vez", disse Fahlman de sua casa em Pittsburgh.

No início dos anos de 1980, redes de computadores eram raramente encontradas fora de universidades e instalações secretas governamentais.

Naquele tempo, discussões em primitivos "bulletin boards" (BBS) poderiam rapidamente tornarem-se violentas se usuários mais sensíveis interpretassem mal uma brincadeira.

E foi num desses momentos que a smiley de Fahlman surgiu. Depois de uma complicada piada sobre contaminação de mercúrio em um elevador, os usuários do BBS da universidade Carnegie Mellon propuseram uma série de marcadores para comentários mais engraçadinhos, como *, %, &, (#) e __/.

Porém Fahlman sugeriu :-), junto com o aviso "leia de lado" e a prática se espalhou pela Internet.

Hoje, Yahoo!, Microsoft e America Online incorporaram emoticons em seus programas de mensagens instantâneas, enquanto companhias de telecomunicações, joalheiros e varejistas online registraram marcas de produtos e slogans que incorporam o símbolo. Apesar disso, Fahlman nunca viu um centavo de sua criação.

"Se custasse para as pessoas um centavo para usar, ninguém nunca teria usado. Este é meu pequeno presente para o mundo, para melhor ou para pior", disse o cientista.





URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/167/visualizar/