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Astronomia
Segunda - 16 de Fevereiro de 2004 às 11:25

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A intrigante e gigantesca lua Titã, um dos satélites que orbitam o planeta Saturno, contém elementos importantes que podem ajudar a explicar a evolução da vida na Terra.

Cientistas reunidos no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Seattle, estimam que 2004 será um grande ano para se descobrir aspectos importantes sobre a composição química de Titã.

A lua de Saturno é maior do que os planetas Mercúrio e Plutão e tem uma atmosfera 60 vezes mais densa do que a da Terra. Ou seja, é como se fosse um planeta. E certamente seria considerada um planeta, se orbitasse o Sol.

"A interação dos mais variados elementos que existem em Titã a tornam bastante parecida com o que a Terra era quando a vida começou a se formar aqui. Analisando os processos que acontecem em Titã, podemos entender mais sobre a origem da vida em nosso planeta", disse o astrônomo Ralph Lorenz, da Universidade do Arizona, que estuda Saturno há mais de uma década.

Sondas

Entre julho e outubro, sondas da Nasa (agência espacial norte-americana) estarão chegando a Titã e enviarão imagens importantes sobre a superfície da lua que, de acordo com análises feitas inicialmente, contém metano, etano, nitrogênio e hidrogênio.

Cientistas também apostam na existência de um oceano gigantesco, sob a densa camada de gelo e rochas de Titã, com pelo menos 70 quilômetros de espessura.

"Esses elementos, principalmente o nitrogênio, podem estar de alguma forma interagindo com o gelo da lua, dando origem a micróbios, ou seja, formas primitivas de vida", disse Lorenz.

Lorenz lembrou que hoje é um consenso entre os cientistas a existência de oceanos congelados em variados pontos do nosso sistema solar. "O desafio é achar água na forma líquida."

O cientista também lembrou que, daqui a 5 bilhões de anos, a lua de Saturno, por exemplo, pode ter características muito parecidas com as da Terra hoje em dia.

"O sol vai esquentar muito, tornando a vida na Terra impossível, e Titã pode ser o lugar para se habitar", comparou.

Oceanos intergaláticos

Outros pesquisadores presentes ao encontro salientaram a importância do estudo dos oceanos intergaláticos. "Eles podem nos ensinar muito sobre os nossos próprios oceanos", disse Peter Girguis, do Monterey Bay Aquarium Research Institute.

Segundo Girguis, a tecnologia para explorar os oceanos extraterrestres e os terrestres, em suas camadas mais profundas, é praticamente a mesma atualmente: uso de imagens, análise de elementos químicos ou de possíveis espécies.

"Os oceanos intergaláticos podem oferecer boas explicações sobre fenômenos que ainda não entendemos em nossos oceanos aqui, como por exemplo como os ventos são gerados e como ocorre o transporte de calor entre as diferentes camadas dos oceanos", concluiu.





BBC




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