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Arqueologia
Sexta - 30 de Abril de 2004 às 07:38

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Uma pedra sagrada cheia de inscrições, descoberta por um grupo de arqueólogos norte-americanos e guatemaltecos, revela os últimos 30 anos e o posterior colapso da grande civilização maia na Guatemala.

"Os artefatos descobertos oferecem uma valiosa informação sobre os 30 anos que precederam o colapso desta civilização", afirmou o catedrático da Universidade Vanderbilt do Tennessee e diretor do projeto de escavações, o arqueólogo Arthur A. Demarest.

A pedra, com belas imagens e hieróglifos, foi encontrada pelos arqueólogos junto com um marcador de jogo de bola no palácio maia de Cancuén, 600 km ao norte da Cidade da Guatemala.

"A importância deste painel é que nos descreve os eventos políticos e religiosos da época. Ele está tão bem cuidado que tem até o nome do artesão que o confeccionou", disse o técnico do Instituto de Antropologia e História, Boris Aguilar.

Cancuén é um dos maiores palácios maias descobertos até o momento, construído entre os anos 765 e 790 d.C. pelo rei Taj Chan Ahk e se localiza no departamento de Petén (norte), na margem do rio La Pasión.

Sua posição estratégica tornou a cidade um centro de controle entre as terras altas do sul da América Central e a florescente civilização maia entre os anos 500 a.C e 850 d.C.

Os especialistas da Universidade Vanderbilt do Tennessee e a National Geographic Society em Washington descobriram a pedra, enquanto faziam escavações num dos palácios reais maias, em Cancuén. A peça pesa 46 quilos e mede aproximadamente 60 centímetros de largura por 60 de comprimento.

O painel, com belas imagens e hieróglifos, mostra o rei mais importante da dinastia Taj, sentado sobre um trono, com pele de jaguar. Abaixo, tem uma cabeça do deus da terra, o que significa "que ele é o senhor absoluto e está controlando tudo", explicou Demarest.

A pedra também mostra o soberano Taj presidindo uma cerimônia na praça real da segunda capital de seu território, a cidade de Machaquila, 40 km ao norte de Cancuén. Ele aparece sentado num trono e símbolo da terra com um rei subordinado e outro oficial.

O marcador do jogo de bola descoberto é um enorme altar que pesa 280 quilos. O ministro da Cultura, Manuel Salazar, e o embaixador dos Estados Unidos, John Hamilton, colaboraram nas últimas escavações e ajudaram simbolicamente a desenterrá-lo, durante uma visita ao sítio em 16 de abril passado.

A pedra sagrada é a terceira de uma série sobre o reinado de Taj. A primeira foi descoberta em 1905 e está exposta no Museu Nacional de Arqueologia da Guatemala e a segunda foi roubada de uma instalação arqueológica em 2001, mas recuperada dois anos depois. A terceira peça foi levada ao museu arqueológico, onde será limpa e restaurada.

O especialista em hieróglifos Federico Fahsen informou que a pedra "é uma das melhores obras de arte maia já descobertas na Guatemala. As imagens dos líderes e o texto histórico estão profunda e detalhadamente talhados em alto relevo e milagrosamente preservados".

Em março passado, dois antropólogos guatemaltecos também descobriram um quinto códice -- livro manuscrito antigo -- maia, que permitirá o aprofundamento na história, costumes, cerimônias e ritos religiosos desta civilização.

O quinto códice de interpretação da língua maia se somará ao Dresniano, Peresiano, Trocortesiano e o de Madri e foi descoberto pelos antropólogos Henry Benítez e Marco Antonio Leal, depois que um europeu lhes entregou um manuscrito que possuía há vários anos.

O novo códice é chamado de Chugüilá e se supõe que tenha sido escrito no século XVII no povoado de Chichicastenango, 220 km a oeste da capital guatemalteca.







AFP




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