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Ciência
Sexta - 07 de Maio de 2004 às 08:52

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Um grupo formado por cientistas da Europa, Estados Unidos e Canadá decifrou a região do cérebro responsável pelo armazenamento e recuperação de memórias antigas. Trata-se da região do córtex conhecida como cingulato anterior. A descoberta foi publicada na edição de 7 de maio da revista Science (www.science.com).

“A ciência sabe há tempos que o hipocampo processa as memórias recentes, mas nunca entendeu como o cérebro armazena as antigas. Nós imaginávamos que não poderia ser no hipocampo”, explicou o português Alcino J.Silva, professor da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Para resolver o mistério, os pesquisadores utilizaram camundongos com uma forma mutante do gene conhecido como quinase II, que suprime a capacidade de lembrar velhas memórias. Os animais foram treinados para reconhecer uma gaiola e, depois, testados para suas lembranças do local um, três, 18 e 36 dias depois.

“Verificamos que os camundongos reconheceram a gaiola até três dias depois do treinamento, mas a memória dela desapareceu depois de 18 dias. Ou seja, eles tinham uma recuperação de curto prazo e nunca desenvolveram uma memória distante da goiola”, disse Silva.

Como pesquisas anteriores haviam sugerido que o córtex tinha um papel no processamento de velhas memórias, a segunda estratégia da equipe foi observar quais regiões da camada externa do cérebro eram ativadas durante testes com camundongos comuns.

Nenhuma parte do córtex se manifestou quando os camundongos foram colocados em contato com a gaiola um dia após o treinamento. Entretanto, quando os animais eram colocados 36 dias depois, as imagens obtidas destacaram uma parte do córtex, o cingulato anterior, em que houve um aumento na expressão do gene zif268. Testes feitos em seguida com os animais geneticamente modificados não mostraram a mesma manifestação nesse gene.

“Temos agora diversas evidências que apontam para a mesma conclusão: o cingulato anterior tem uma parte fundamental em manter vivas as nossas memórias mais remotas”, disse Silva. O cientista português acredita que, quando uma pessoa lembra de alguma coisa, o cingulato anterior rapidamente reúne os sinais da memória de locais diferentes do cérebro.

“Se o cingulato anterior não funciona corretamente, a recuperação pode ficar muito fragmentada para fazer sentido, como um quebra-cabeças sem todas as peças. Pode ser isso o que ocorre durante a demência”, disse. Silva acredita que a descobertas pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos contra a doença de Alzheimer ou outros distúrbios de memória.

Na mesma edição da Science está publicada um artigo em que Iván Izquierdo e Martín Cammarota, do Centro de Memória do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, comentam a descoberta do grupo liderado por Silva e falam sobre os mecanismos de consolidação e reconsolidação da memória.







Agência Fapesp




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