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Ciência
Quinta - 12 de Agosto de 2004 às 08:20

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A Grã-Bretanha tornou-se nesta quarta-feira (11/08) o primeiro país da Europa a aprovar um experimento de clonagem humana. Cientistas do Centro da Vida de Newcastle pretendem criar embriões clonados para pesquisa com células-tronco que poderão levar a tratamentos para uma série de doenças. Seu primeiro alvo será a diabetes.

A Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana autorizou a pesquisa de "clonagem terapêutica" depois de analisar durante seis meses "todos os aspectos científicos, éticos, jurídicos e médicos do projeto". A decisão foi recebida com revolta por grupos antiaborto, e com aplausos por órgãos científicos e instituições médicas.

A clonagem terapêutica produz células para pesquisa médica, em contraste com a clonagem reprodutiva, que visa produzir bebês clonados. Os cientistas de Newcastle disseram que a Grã-Bretanha poderá ocupar a liderança mundial na pesquisa de células-tronco embrionárias, desde que tenha apoio financeiro suficiente.

"Newcastle é hoje o precursor nacional nessa área, mas está crescendo nos Estados Unidos a pressão para que seus cientistas tenham permissão para realizar esse trabalho", disse o cientista-chefe do projeto, Miodrag Stojkovic.

A pesquisa de células-tronco surgiu como um tema importante na campanha presidencial norte-americana, com o democrata John Kerry comprometendo-se a remover as restrições ao financiamento federal para experimentos com embriões, que o presidente Bush impôs em 2001. A Califórnia votará em novembro uma iniciativa para criar um fundo de pesquisa de células-tronco no valor de US$ 3 bilhões.

O projeto de Newcastle usará óvulos excedentes que restaram de fertilizações in vitro e que de outra forma seriam destruídos. Seu material genético será removido e substituído por núcleos de células da pele de voluntários adultos.

Os óvulos serão então estimulados a crescer como se fossem fertilizados, em embriões primitivos do tamanho de uma cabeça de alfinete, dos quais serão extraídas as células-tronco.

Então os embriões serão destruídos. Essas células-tronco embrionárias podem em princípio se desenvolver em qualquer tipo de tecido humano, o que poderia ser usado para substituir tecido perdido ou danificado no pâncreas pela diabetes ou no cérebro pelas doenças de Alzheimer ou Parkinson. Como essas células são geneticamente idênticas ao paciente, elas não serão rejeitadas pelo sistema imunológico.

O único relato de clonagem humana já publicado em uma revista científica séria veio da Coréia do Sul em fevereiro passado. Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul produziram 30 embriões primitivos, mas cientistas independentes disseram que sua alegação de ter extraído deles células-tronco embrionárias ainda não foi comprovada.

"Antes de avançarmos na clonagem terapêutica, precisamos estabelecer além de qualquer dúvida que somos capazes de produzir linhagens celulares de embriões clonados", disse Richard Gardner, que dirige o comitê de células-tronco da Sociedade Real, a academia científica da Grã-Bretanha.

O professor Gardner disse que a licença para a pesquisa de Newcastle salienta a importância de discussões realizadas nos Estados Unidos em outubro sobre uma proposta de convenção sobre a clonagem humana.





Financial Times




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