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Quinta - 10 de Outubro de 2002 às 14:26

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SÃO PAULO - A Neiva, empresa subsidiária da Embraer, apresentou hoje o primeiro avião movido a álcool do mundo. O EMB-202 Ipanema é uma aeronave voltada para o mercado agrícola, capaz de fazer aplicações de defensivos, fertilizantes ou até mesmo despejar água sobre incêndios em áreas abertas. De acordo com o gerente comercial da Neiva, Luiz Fabiano Zaccarelli Cunha, os constantes aumentos do preço da gasolina levaram a empresa a retomar o projeto de construir um avião movido a álcool.

- O projeto de um avião a álcool nasceu nos anos 80 no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. Com o preço da gasolina em alta, resolvemos retomar o projeto – explicou Cunha.

Por fora, o Ipanema a álcool é idêntico ao modelo a gasolina, tanto nas dimensões quanto na capacidade para levar apenas uma pessoa - o piloto. A diferença está no motor Lycoming, de seis cilindros e 300 hp, importado dos Estados Unidos. Na fábrica da Neiva, o motor, que originalmente utiliza gasolina de aviação, é convertido para álcool (etanol, a 96º) com modificações no sistema injetor. Segundo Cunha, com essa mudança a aeronave movida a álcool tem um aumento entre 15% a 18% no consumo de combustível.

A grande vantagem do modelo a álcool é a economia proporcionada pelo combustível. Enquanto o litro da gasolina de aviação custa R$ 3,50 em São Paulo, o álcool pode ser encontrado no estado por R$ 0,90. Pelos cálculos de Cunha, um avião a álcool que voe 400 horas por ano teria um gasto anual de R$ 29.880 em combustível, contra R$ 98 mil de um modelo a gasolina. Ou seja, o Ipanema a álcool proporcionará uma economia de mais de R$ 68 mil por ano ao seu proprietário, apenas nos gastos com combustível.

O avião movido a álcool apresentado hoje na fábrica da Neiva em Botucatu, no interior de São Paulo, deverá completar 150 horas de vôo para ser homologado pelo CTA, além de testes de desempenho do motor em bancada. Cunha calcula que a certificação deverá estar concluída em dezembro do ano que vem. Com o lançamento comercial do Ipanema a álcool, a Neiva espera aumentar suas vendas. No ano passado, foram vendidos 15 aviões Ipanema. Neste ano, a previsão é de 29 aviões vendidos. Para o ano que vem, Cunha espera vender 40 aeronaves, boa parte a álcool.

De acordo com o executivo da Neiva, o Ipanema a álcool também sofre modificações nas asas, no tanque, na fuselagem e na mangueira de combustível. A vantagem do álcool, ressalta Cunha, é ter uma taxa de compressão maior que a da gasolina de aviação. O lado negativo é o alto índice de corrosão do novo combustível.

- O avião voa bem. Mas a corrosão é mesmo o maior problema. Por isso, estamos usando novos materiais, muitos deles já testados e aprovados pela indústria automobilística – afirmou o executivo.

Segundo Cunha, todo o desenvolvimento e a certificação do Ipanema a álcool deverá consumir investimentos da ordem de US$ 300 mil. Além da parte nacional, informou, a Lycoming se comprometeu a trabalhar para trocar o pistão e melhorar a taxa de compressão do motor a álcool.

Além de fabricar e vender aviões novos a álcool, a Neiva também irá converter os antigos Ipanemas a gasolina para o novo combustível. Cunha estima que 85% da frota atual de aviões agrícolas do país (de cerca de 900 aeronaves) é composta de modelos Ipanema. Com o álcool, ele espera superar a última barreira para o crescimento da aviação agrícola no Brasil.

- Hoje, nosso grande concorrente não são os aviões importados, mas os pulverizadores terrestres, chamados de gafanhotos. Com o álcool, vamos reduzir o nosso custo operacional e ficar mais competitivo – acredita o executivo.

Geraldo Magella, do GloboNews





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