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Ciência
Sexta - 27 de Agosto de 2004 às 09:14

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Um alemão de 56 anos de idade fez sua primeira refeição sólida em nove anos, depois de receber um transplante pioneiro de mandíbula.

Os médicos do Departamento de Cirurgia Oral e Maxilofacial da Universidade de Kiel, na Alemanha, criaram uma mandíbula que se desenvolveu nas costas do paciente. O procedimento tradicional seria usar ossos de outra parte do corpo.

A mandíbula "crescida" nas costas então foi transplantada para o rosto do paciente, deformado há nove anos por causa de um tumor.

O procedimento, que antes só havia sido testado em animais, foi descrito na revista especializada The Lancet (http://www.thelancet.com).

Ossos

Um dos principais problemas do procedimento tradicional, a retirada de material ósseo de outra parte do corpo para repor o que está faltando, é que ele normalmente deixa outra parte do corpo (de onde o osso foi retirado) defeituosa.

O paciente vivia há nove anos com uma placa de titânio de 7 cm, que substituía a mandíbula perdida.

Ele também toma medicamentos para afinar o sangue, por conta de um aneurisma, o que tornaria ainda mais altos os riscos do procedimento tradicional, a raspagem óssea.

Os médicos, então, usaram tomografia computadorizada tridimensional e técnicas de desenho de computador para produzir uma nova mandíbula que substituiria a perdida.

Com as informações, os cientistas criaram uma estrutura de titânio, que foi recheada com material mineral ósseo, uma proteína para acelerar o crescimento dos ossos e material da medula óssea do próprio paciente.

A estrutura foi então implantada no músculo grande dorsal colateral nas costas do paciente, sob o ombro direito.

Os médicos acompanharam o crescimento do osso dentro do paciente com a ajuda de tomografia computadorizada. Sete semanas depois, ele foi implantado implantado no rosto do paciente.

O paciente reconquistou a habilidade de mastigar (ele só podia comer alimentos pastosos e sopa há nove anos). Depois de quatro semanas, fez sua primeira refeição sólida, pão com salsicha.

Qualidade de vida

Os pesquisadores, liderados pelo médico Patrick Warnke, afirmam que ainda é preciso descobrir mais sobre os efeitos a longo prazo do procedimento.

No artigo publicado pela Lancet, eles afirmam que, "com o sucesso da operação, eles devem tentar o procedimento em outros pacientes".

"Mas, para chegar a conclusões definitivas, é preciso acompanhar o paciente por algum tempo."

Patrick Warnke disse à BBC que espera que a técnica possa ajudar outras pessoas, acrescentando que, "além de ajudar pacientes com problemas na mandíbula, esperamos que o procedimento possa ser usado em cirurgias ortopédicas".

'Coube direitinho'

"Como o novo osso foi formado pelo tecido do próprio paciente, não esperamos que haja problema de rejeição."

O médico contou que a operação foi um sucesso porque, "quando implantamos o novo osso, ele coube direitinho no lugar, tivemos que fazer muito poucos ajustes".

O médico Stan Gronthos, da divisão de hematologia do Instituto de Ciência Médica e Veterinária de Adelaide, na Austrália, disse que a pesquisa alemã prova que a técnica pode ajudar pacietnes com mandíbulas danificadas.

Segundo ele escreveu na Lancet, "enquanto continua o debate sobre se o procedimento deve ou não ser usado, um paciente, que havia perdido a mandíbula como resultado de um tumor destrutivo, pode agora sentar e comer sua primeira refeição sólida em nove anos, resultado de um implante com estrutura igual à da mandíbula perdida, o que resulta em melhor qualidade de vida para ele".




BBC Londres




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