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Ciência
Terça - 05 de Outubro de 2004 às 15:27

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A busca pela menor dependência dos combustíveis fósseis tem levado os pesquisadores a estudar cada vez mais a tecnologia da célula de combustível. Recentemente, cientistas ingleses descobriram como é possível obter hidrogênio a partir do óleo de girassol para abastecê-la.

Óleo de girassol poderá abastecer carros do futuro
Sistema produziu célula de combustível eficiente

A busca pela menor dependência dos combustíveis fósseis tem levado os pesquisadores a estudar cada vez mais a tecnologia da célula de combustível. Recentemente, cientistas ingleses descobriram como é possível obter hidrogênio a partir do óleo de girassol para abastecê-la.

A pesquisa foi apresentada no dia 25 de agosto no 228 ° Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química, uma das maiores sociedades científicas do mundo.

A cientista chefe Valerie Dupont, engenheira ligada à área de energia da Universidade de Leeds na Inglaterra, e seus colaboradores desenvolveram um gerador experimental de hidrogênio que utiliza apenas óleo de girassol, ar e vapor d´água. O equipamento consiste em dois catalisadores altamente especializados - um a base de níquel e o outro, de carbono. Eles são usados alternadamente para armazenar e liberar oxigênio e dióxido de carbono enquanto produzem hidrogênio ininterruptamente. Segundo Dupont, o novo processo não envolve a queima de nenhum combustível fóssil. "O óleo de girassol é o mesmo encontrado nas mercearias", diz a pesquisadora chefe.

De acordo com os estudos feitos em laboratório, os pesquisadores conseguiram obter hidrogênio com 90% de pureza, o que o torna mais eficiente em relação aos demais geradores, que conseguiram chegar a até 70%. Os bioprodutos derivados da transformação do óleo de girassol, como dióxido de carbono e metano, foram gerados em proporções aproximadamente iguais, segundo os pesquisadores.

A água e óleo ao serem introduzidos no equipamento passam por um aquecedor, que os vaporiza. Através do processo chamado "reforma a vapor", a mistura é quebrada na presença do calor para gerar dióxido de carbono, hidrogênio, metano e monóxido de carbono. A catálise, a chave do processo, desencadeia uma série de reações químicas que resulta no aumento da produção de hidrogênio. Primeiro, um dos catalisadores (a unidade a base de níquel) absorve o oxigênio do ar e esta interação aquece o reator no equipamento. Simultaneamente, na presença do calor, outro catalisador (a base de carbono) libera o dióxido de carbono previamente preso no aparelho.

Uma vez que o reator está suficientemente aquecido e todo o dióxido de carbono já foi liberado e expelido do reator, a mistura com óleo e água é então armazenada na câmara do reator. O calor do reator quebra a ligação entre o carbono e hidrogênio no óleo vaporizado. O vapor liga o oxigênio ao carbono, liberando o hidrogênio e produzindo dióxido de carbono. Quando o monóxido de carbono e o vapor d´água entram em contato, eles tendem a formar o dióxido de carbono e o hidrogênio. O processo todo resulta na produção cíclica do hidrogênio, segundo Dupont, acrescentando que o processo pode ser modificado para permitir a produção contínua de hidrogênio.

O gerador experimental ainda não foi usado para abastecer nenhuma célula de combustível. Mas, segundo os pesquisadores, ele tem potencial para equipar em larga escala estações de combustível, onde os consumidores poderão abastecer seus carros.

O hidrogênio é o componente chave para as células de combustível. Nelas, ele reage com oxigênio para gerar eletricidade, produzindo também água. Muitos carros estão sendo produzidos com tecnologia de célula de combustível, mas uma produção em larga escala poderá ser comercialmente viável apenas daqui a alguns anos. Células a combustível também podem ser usadas para prover eletricidade e calor aos prédios.

SCIAM




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