Homenews - homenews.com.br
Ciência
Terça - 05 de Outubro de 2004 às 16:00

    Imprimir




________________________________________________________________



Nanopartículas originárias de uma proteína encontrada no sangue poderão ser usadas para recuperar o meio ambiente. Por meio delas, por exemplo, será possível reduzir o estado de oxidação de metais tóxicos presentes na água, facilitando sua filtragem e eliminação.

A pesquisa "Nanopartículas inorgânicas sintetizadas a partir de precursores biológicos como nanocatálises para aplicações ambientais" foi desenvolvida pela Universidade Temple, nos Estados Unidos. A proteína usada para criar as nanopartículas chama-se ferritina, e tem a função de armazenar a quantidade extra de ferro no sangue. "Quando nosso corpo precisa de ferro, a ferritina é responsável por enviar o que já está armazenado", diz Daniel R. Strongin, professor de química da Temple.

No momento, as nanopartículas estão sendo desenvolvidas a partir do ferro acumulado na ferritina do baço de um cavalo no laboratório de Temple. De acordo com a variação de ferro que é armazenada, é possível alterar o tamanho das partículas.

"Há alguns estados de oxidação que podem fazer os metais se precipitarem na solução. Com isso, eles não podem ser levados pela água e nem chegar ao lençol freático. Por exemplo, nós temos buscado a redução do cromo-6, um dos metais tóxicos listados pela Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana", diz Strongin.

Aplicando as nanopartículas no cromo-6, com a ajuda de luz visível ou de radiação solar para ativar as partículas, os pesquisadores foram capazes de reduzir o cromo-6 para cromo-3, solúvel em água.

"Ele é bem mais simples de ser eliminado. Você pode filtrá-lo com mais facilidade nesse estado", diz Strongin. Segundo o pesquisador, os resultados estão sendo encorajadores o suficiente para que os pesquisadores acreditem que as nanopartículas que estão sendo criadas possam ser aplicadas em outros metais tóxicos, como o tecnécio-7, grande problema de lixo nuclear em Washington.

"O lixo nuclear está lá desde os anos 40 e 50, e está sendo vagarosamente escoado, o que pode contaminar o lençol freático. Acreditamos que o uso de nanopartículas possa ter um papel importante na prevenção e despoluição", diz Strongin. "Essa é uma nova descoberta: usar proteínas para desenvolver nanopartículas. A natureza faz isso, e nós estamos apenas aprimorando essa habilidade", afirma Strongin.

SCIAM




URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/2552/visualizar/