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Ciência
Sexta - 08 de Outubro de 2004 às 10:53

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Um tribunal britânico decidiu nesta quinta-feira (05/10) que os médicos não devem ressuscitar uma menina de 11 meses se ela parar de respirar.

Charlotte Wyatt nasceu prematuramente, pesando menos de 0,5 kg e com problemas no coração e nos pulmões.

Os pais da menina queriam que ela fosse reanimada em qualquer situação, mas os médicos argumentam que Charlotte sente dores constantes e que seria cruel prolongar o seu sofrimento com novos tratamentos.

O juiz Mark Hedley afirmou que futuros tratamentos não seriam do interesse da criança. "Eu sei que isso pode significar que ela morra mais cedo, mas, no meu julgamento, o momento da morte será apenas um pouco antecipado. Eu me perguntei: o que pode ser feito agora para beneficiar Charlotte?"

Segundo Hedley, a menina deveria receber três coisas: "O maior conforto possível, o maior tempo possível ao lado de seus pais e a possibilidade de seguir o seu destino", disse o juiz.

Limitações

Hedley afirmou que chegou a considerar a possibilidade de permitir que os médicos fizessem traqueostomia (inserção de um tubo na garganta para a respiração por aparelhos), mas depois voltou atrás.

"Darren e Debbie Wyatt estão extremamente tristes depois da decisão do juiz", disse o advogado dos pais da criança. Mas ele afirmou que o casal não vai apelar da decisão.

Durante dois dias de audiência, os médicos disseram que a menina não sobreviveria além da infância porque seus pulmões estão muito prejudicados.

Charlotte nasceu na 26ª semana de gestação e recebe alimentos por um tubo, já que não consegue mamar. Ela também precisa receber oxigênio constantemente.

Sofrimento

David Lock, advogado do hospital, disse ao juiz que um médico afirmou que a menina "vivia em uma caixa de plástico" e que sua vida seria "dominada por dores e sofrimentos".

"Quando se chega ao estágio em que você cresce aprendendo a amar alguém, não dá para simplesmente jogar essa pessoa fora como se faz com um ovo estragado e dizer que arranjará um ovo diferente", disse o pai de Charlotte no tribunal.

Mas ele reconheceu que teria de mudar de idéia se chegasse a época em que sua filha realmente estivesse sofrendo.

De acordo com Michael Wilks, presidente do Comitê de Ética da Associação Médica Britânica, "o caso foi extremamente difícil e emocional para todos os envolvidos".

"A Associação está confiante de que o juiz Hedley, após ter ouvido todos os depoimentos relevantes, fez a decisão correta em benefício de Charlotte Wyatt", disse Wilks.



BBC, em Londres




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