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Saúde
Segunda - 25 de Outubro de 2004 às 10:53

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Uma pesquisa feita em um hospital infantil do Canadá mostrou que 80% dos bebês que receberam transplantes de coração de doadores de grupos sangüíneos diferentes não rejeitaram o novo órgão.

O estudo mostra que pode haver exceções à regra de que o corpo tende a rejeitar órgãos de doadores com tipo de sangue incompatível por causa da chamada incompatibilidade ABO.

Essa rejeição ocorre quando o sistema provoca a produção de anticorpos ao entrar em contato com um grupo sanguíneo incompatível.

A pesquisa indica que a baixa taxa de rejeição verificada nos bebês pode ter relação com o sistema imunológico.

O organismo dos bebês teria 'aprendido' a aceitar o órgão pelo fato de não ter o sistema imunológico plenamente desenvolvido.

'Descobrimos que o sistema imunológico desses bebês é capaz de se reprogramar para aceitar transplantes de doadores com grupos sangüíneos diferentes', disse Lori West, um dos autores do estudo, que será publicado na edição deste mês da Nature Medicine, uma das publicações do grupo que também edita a revista Nature.

Apesar da baixa taxa de rejeição observada nos bebês, outras reações negativas podem acontecer e, assim como ocorre com adultos, os bebês precisaram receber medicamentos imuno-depressores.

O resultado abre caminho para que bebês sem chance de receber um órgão compatível tenham uma última chance.

O próximo passo, segundo os pesquisadores do Toronto Hospital for Sick Children, é verificar se é possível induzir artificialmente o organismo de pacientes de mais idade a ter a mesma tolerância apresentada pelos bebês.

A maioria dos bebês acompanhados pelos pesquisadores tinha menos de seis meses de idade.




BBC, em Londres




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