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Saúde
Terça - 18 de Janeiro de 2005 às 12:21

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Níveis anormais de hormônios podem desempenhar um papel significativo no desenvolvimento da esclerose múltipla, de acordo com pesquisa.

Cientistas da Universidade La Sapienza, na Itália, observaram os níveis de hormônio em 25 homens e 35 mulheres com a doença e 36 pessoas saudáveis.

Constatou-se que as mulheres com baixos níveis de testosterona tinham mais tecido cerebral danificado. Não havia diferença nos níveis de testosterona entre homens portadores ou não da doença.

O estudo foi publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry.

Sabe-se que a esclerose múltipla afeta duas vezes mais mulheres do que homens, e que é significativamente menos ativa durante a gestação, sugerindo que os hormônios desempenham um papel em seu desenvolvimento.

Esclerose múltipla é uma doença que causa uma gama de sintomas - de fadiga a dificuldades de movimento, fala e memória.

A forma da doença que se manifesta e se retrai segue um padrão característico com períodos de deterioração seguidos de recuperação parcial.

Neste estudo, os pesquisadores compararam níveis de uma gama de hormônios em pessoas saudáveis e portadores de esclerose múltipla.

A média etária dos participantes da pesquisa era 32 anos, e os portadores de esclerose múltipla sofriam da forma da doença que se manifesta e se retrai há seis anos.

As mulheres se submeteram a testes durante as duas fases de seu ciclo menstrual, para incluir as variações em níveis hormonais. Nenhuma delas usava contraceptivos orais, e todas tinham ciclos normais.

Os homens e as mulheres com esclerose múltipla também se submeteram a exame de ressonância magnética no cerebro para identificar áreas de danos aos tecidos e inflamação causada pela doença.

Constatou-se que as mulheres portadoras da doença tinham níveis mais baixos do hormônio masculino testosterona durante todo o seu ciclo mensal, em comparação com mulheres que não tinham o problema.

O grupo com esclerose múltipla também tinha mais lesões que são causadas por inflamação no período de reincidência da doença.

Havia algumas mulheres dentro do grupo portador da doença que tinham níveis relativamente altos de testosterona.

Estas mulheres tinham maior probabilidade de mostrar sinais de danos irreversíveis a tecidos que é mais comum no estágio latente da doença, quando o tecido não está inflamado.

Não havia diferença entre os níveis de testosterona entre homens com esclerose múltipla e homens que não tinham a doença.

Mas os homens portadores de esclerose múltipla que tinham os níveis mais altos do hormônio feminino estradiol tinham maior grau de tecido cerebral danificado.

Nenhum dos outros hormônios estudados aparentavam ter qualquer impacto sobre as descobertas feitas no estudo.

"Nós concluímos que estrógeno e testosterona desempenham um papel ao moldar o desenvolvimento dos danos ao tecido cerebral na esclerose múltipla", diz o artigo da equipe de Carlo Pozzilli, do Departamento de Ciências Neurológicas da Universidade La Sapienza.

Mas a equipe reconhece que é necessário realizar mais análises no tipo de ação e interação dos dois hormônios sobre a doença.



BBC, em Londres




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