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Saúde
Terça - 22 de Fevereiro de 2005 às 12:28

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Obrigar as crianças a seguirem uma dieta "vegan" - nome dado a vegetarianos radicais, que não consomem carne, leite e seus derivados - "não é ético" e pode afetar o desenvolvimento delas, segundo a cientista norte-americana Lindsay Allen.

Allen, do Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, criticou os pais que insistem que seus filhos vivam de acordo com a máxima "carne é assassinato".

A cientista disse durante encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Washington, que alimentos de origem animal têm alguns nutrientes que não são encontrados em qualquer outro lugar.

A Sociedade Vegan descartou essas alegações, dizendo que as pesquisas mostram que os vegans são normalmente mais saudáveis do que aqueles que comem carne.

'Desenvolvimento lento'

"Já foram feitos estudos suficientes que mostram claramente que quando as mulheres evitam todos os alimentos de origem animal, os seus bebês nascem menores, crescem muito lentamente e seu desenvolvimento é retardado, possivelmente de forma permanente", disse a cientista.

"Se estamos falando de alimentar crianças pequenas, mulheres grávidas ou que estão amamentando, eu chegaria ao ponto de dizer que não é ético eliminar esses alimentos (de origem animal) durante esse período da vida."

Ela criticou especialmente os pais que impõem um estilo de vida vegan aos seus filhos, negando que eles tenham acesso a leite, queijo, manteiga e carne.

"Não há absolutamente qualquer dúvida de que não é ético que os pais criem seus filhos como vegans rígidos", disse a cientista no encontro.

Nutrientes

Segundo a médica, o prejuízo para as crianças começa quando elas estão crescendo no útero e continua depois do nascimento.

Pesquisa que ela fez entre crianças africanas em idade escolar sugere que duas colheres de carne por dia são o suficiente para fornecer nutrientes como vitamina B12, zinco e ferro.

As 544 crianças analisadas foram criadas com dietas baseadas em farinhas e grãos de baixo valor nutricional.

Durante dois anos, algumas dessas crianças receberam suplementação equivalente a duas colheres cheias de carne moída diariamente.

Os dois outros grupos receberam ou um copo de leite ou um suplemento de óleo com mesmo equivalente de energia diariamente. A dieta de um terceiro grupo foi deixada inalterada.

As mudanças observadas nas crianças que comeram carne e, em menor medida, beberam leite ou óleo foram dramáticas.

Ao final de dois anos, essas crianças cresceram mais e tiveram melhor desempenho na solução de problemas e testes de inteligência do que as outras.

Elas também se tornaram mais ativas, falantes e participativas na escola.

A inclusão de carne ou leite às dietas das crianças praticamente eliminou as altas taxas de deficiência de vitamina B12 que foram observadas anteriormente.

Sem solução rápida

A professora Allen disse que, embora a pesquisa tenha sido feita em uma comunidade africana pobre, sua mensagem é altamente relevante para as pessoas em países desenvolvidos.

Ela admite que os adultos podem evitar alimentos de origem animal se tomarem os suplementos necessários.

Mas ela disse que adicionar alimento de origem animal à dieta é uma maneira melhor de atacar a desnutrição no mundo do que as soluções rápidas na forma de suplementos em pílulas.

"Onde for possível, é muito melhor fazer isso por meio da dieta e não por meio de cápsulas", disse ela.

"Com pílulas, é difícil ter certeza de que a quantidade de nutrientes é a correta para todo mundo."

O professor Montague Demment, da Universidade da Califórnia em Davis, disse que deveria ser dada mais ênfase em alimentos de origem animal para combater a desnutrição global.



BBC, em Londres




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