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Saúde
Segunda - 14 de Março de 2005 às 11:26

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Uma variação de um único gene pode ser responsável por metade dos casos de degeneração macular relacionada à idade (DMRI), disseram pesquisadores na última quinta-feira. A descoberta pode levar à criação de tratamentos mais eficientes contra a principal causa de cegueira entre idosos.

Três equipes diferentes de cientistas apontaram para o gene chamado CFH para o fator complementar H. O gene está envolvido em uma parte do sistema imunológico responsável por regular o mecanismo da inflamação.

"Isso é um grande acréscimo para o quebra-cabeças com que nos deparamos quando se trata de entender a degeneração macular relacionada à idade", afirmou Stephen Daiger, do Centro de Genética Humana da Universidade do Texas (EUA). "Ninguém hoje pode dizer exatamente como isso contribuirá para a criação de um tratamento. Mas aposto com você que isso levará a algum tipo de tratamento algum dia", afirmou Daiger, que comentou os três estudos para a revista Science.

A DMRI afeta entre 10 milhões e 15 milhões de pessoas apenas nos EUA e é a principal causa de cegueira entre os idosos. Aos 75 anos de idade, até 30% dos norte-americanos apresentam algum sintoma da doença.

A mácula é uma área circular do centro da retina que possui um grande número de cones (estruturas que ajudam a ver as cores, detectar movimento e perceber detalhes). Como parte do processo de envelhecimento, depósitos amarelados, chamados drusas, acumulam-se na mácula. Mas na DMRI, esses depósitos são maiores e há um número maior deles. As drusas matam as células no olho, afetando a visão central.

O tabagismo, a obesidade e dietas com muita gordura são fatores que aumentam as chances de ocorrência da doença. A ingestão de frutas e de vegetais ajuda na prevenção dela. Mas também há um fator genético.

Histórico familiar
"Sabemos que um dos fatores mais importantes na determinação de quem terá a degeneração macular é o histórico familiar", afirmou o oftalmologista Albert Edwards, da Universidade do Texas. Edwards comandou um dos estudos.

As três equipes de cientista, espalhadas por várias instituições, entre as quais a Universidade Yale, a Universidade Rockefeller e a Universidade Duke (todas dos EUA), analisaram os mapas genéticos e as seqüências de DNA das pessoas com DMRI e dos parentes delas.

Todos os trabalhos apontaram para o CFH.

"Esse é o primeiro estudo a identificar uma variante comum para um gene específico associado à DMRI", disse Josephine Hoh, que comandou um dos estudos. "Os doentes de DMRI caucasianos têm probabilidades ao menos quatro vezes maiores de ter um tipo de alteração particular no CFH responsável por produzir uma forma diferente de proteína CFH quando comparada com a proteína de indivíduos sem a doença", afirmou Hoh.

Segundo Daiger, será fácil testar as pessoas para verificar se possuem a variante problemática do CFH.




BBC, em Londres




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