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Informática
Quarta - 07 de Agosto de 2002 às 12:06

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Por Jeffrey Selingo
Do New York Times


A segurança cada vez maior nos aeroportos americanos após os atentados de 11 de setembro tem feito com que os passageiros em trânsito esqueçam os mais variados tipos de artigos pessoais nos detectores, incluindo chaves, telefones celulares e jóias. Entretanto, os laptops têm sido os maiores problemas para os departamentos de achados e perdidos dos aeroportos americanos, uma vez que os viajantes precisam agora tirar as máquinas de suas pastas antes de colocá-las diante da máquina de raio-X.

Algumas vezes os passageiros acabam pegando a pasta vazia ou “roubando sem querer” o notebook de outra pessoa. No aeroporto internacional de Seattle-Tacoma, 330 notebooks foram deixados para trás entre setembro de 2001 e abril deste ano, contra apenas sete no mesmo período um ano antes. E o problema parece estar ficando cada vez pior: nos últimos três meses, o aeroporto recolheu 204 laptops esquecidos. Em Denver, funcionários do aeroporto recorreram a um expediente inusitado: colocaram placas nos check-points de segurança com os dizeres “Você tem um laptop?”. Isso depois que 95 notebooks foram esquecidos só em fevereiro.

— Os donos de laptops têm uma ligação emocional muito forte com seus computadores — diz Dennis Hatch, gerente de operações de achados e perdidos do aeroporto de Seattle-Tacoma. — Quando os passageiros estão a dez mil metros de altura ou chegam aos seus destinos e percebem que não têm mais sua apresentação em Power Point, viram uma pilha de nervos.

Devolver os laptops aos seus donos nem sempre é simples. Muitos viajantes põem etiquetas na pasta, mas não no notebook, de modo que a recente inundação de laptops esquecidos transformou alguns funcionários das seções de achados e perdidos em detetives high-tech.

Algumas vezes eles não precisam fazer mais do que dar um boot no computador para achar um logon e o nome de uma empresa. Mas na maior parte dos casos precisam cavar mais fundo. Se o computador não é protegido por senha, abrem programas procurando pelo nome do proprietário ou da empresa para a qual o software foi licenciado. Também vasculham agendas de endereços em busca do email do dono ou de seus parentes mais facilmente identificáveis, como “papai” e “mamãe”.

Nos casos mais difíceis, os novos detetives mandam emails para a última pessoa com quem o dono do notebook se correspondeu, ou são obrigados a investigar cartas no Word ou planilhas do Excel. Alguns fabricantes, inclusive, já ajudaram rastreando o número de série da máquina.

A maioria dos donos de notebooks esquecidos não se importa com a intrusão, contanto que seus computadores sejam devolvidos.

— Sim, nós recuperamos alguns laptops de escritórios de políticos e de empresários que desejam saber que arquivos foram abertos — diz Hatch. — Mas, francamente, estamos tão cheios de laptops que não temos tempo para estudar os dados contidos neles.




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