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Ciência
Quarta - 18 de Maio de 2005 às 10:20

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O chefe do Departamento de Mudanças Climáticas da ONU (Organização das Nações Unidas), Joke Waller-Hunter, pediu nesta terça-feira que o mundo comece a trabalhar em um projeto comum para que o protocolo de Kyoto seja estendido para além de 2012.

Waller-Hunter, em entrevista à agência de notícias Reuters, destacou o que muitos representantes mundiais vêm defendendo desde a última segunda-feira (15/05) em uma reunião sobre as mudanças climáticas promovida pela ONU na cidade alemã de Bonn: que o protocolo de Kyoto precisa de um sucessor.

"A proteção do clima não pode acabar em 2012 (prazo de vencimento do protocolo). Empresas e governos têm que pensar logo em uma alternativa", disse o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Juergen Trittin, que também participa da conferência.

O protocolo, que entrou em vigor depois de muitos atrasos em fevereiro deste ano, prevê entre 2008 e 2012 uma redução de 5,2% (em relação aos níveis produzidos em 1990) na produção de gases responsáveis pelo efeito estufa pelos países desenvolvidos.

A diminuição na emissão desses poluentes, segundo cientistas, pode ajudar a conter o aquecimento global.

Segundo Waller-Hunter, a conferência informal em Bonn, que vai até o dia 27 de maio, tem que ser encarada como um primeiro fórum de discussões sobre o pós-Kyoto.

"Mesmo que muitos países ricos estejam ainda longe de cumprir as metas de Kyoto", disse o gerente da ONU.

A referência é principalmente aos Estados Unidos e à Austrália - países desenvolvidos poluentes que recusaram-se a aderir ao protocolo.

Austrália e Estados Unidos

Outro assunto em debate em Bonn é como fazer Estados Unidos, Austrália e os países em desenvolvimento (que não fazem parte do protocolo de Kyoto) entrarem na conta da redução das emissões dos gases de efeito estufa.

Os Estados Unidos já prometeram uma redução lenta, porém gradual, de suas emissões. O governo Bush, no entanto, não quis se comprometer com metas.

Na segunda-feira, voltou a jogar um balde de água fria nos ambientalistas ao afirmar que seria muito difícil impor mais taxas às empresas de aviação - grandes lançadoras de poluentes na atmosfera, em uma indústria que cresce muito a cada ano.

A União Européia, maior defensora de Kyoto, já estuda impor a taxação.

A ministra do Meio Ambiente da Austrália, Jan Adams, afirmou em Bonn nesta terça-feira que o seu país está pronto para começar a trabalhar em soluções "de longo prazo" para o controle do clima.

Porém ressaltou que nada será tão fácil assim, já que "durante muito tempo a humanidade dependerá da queima de combustíveis fósseis para produzir energia".

Países em desenvolvimento

A proposta do pós-Kyoto recebe apoio de quase todos os países signatários da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU.

O apoio vem inclusive de países em desenvolvimento como o Brasil, a Índia e a China - que recebem pressão dos ricos para que se desenvolvam sem causar danos maiores ao meio ambiente.

O ministro do Meio Ambiente da Argentina, Gines González Garcia, foi categórico em Bonn ao afirmar que os países ricos precisam ajudar os em desenvolvimento neste processo.

"É essencial que Kyoto se torne uma realidade nos países desenvolvidos para que a participação dos em desenvolvimento seja facilitada", disse.




BBC, em Londres




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