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Ciência
Quarta - 18 de Maio de 2005 às 10:26

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As discussões sobre o que fazer após a expiração do Protocolo de Kyoto receberam uma intervenção do Brasil nesta terça-feira (16/05), durante a conferência da ONU, a Organização das Nações Unidas, em Bonn, na Alemanha, sobre as mudanças climáticas no mundo.

Representantes de mais de 150 países reunidos na Alemanha discutem o que fazer quando o protocolo, que prevê a contenção das emissões de gases poluentes para conter o aquecimento global, expirar em 2012.

A delegação do Brasil foi categórica: "Não defendemos um pós-Kyoto, mas sim um pós-2012 que daria continuidade ao protocolo, com mais ênfase na ajuda aos países em desenvolvimento na criação de fontes de energia mais limpas", disse o chefe da comissão brasileira na conferência, André Corrêia do Lago.

Segundo Corrêia do Lago, alguns países vêm defendendo em Bonn um "pós-Kyoto", um protocolo diferente para controlar as mudanças climáticas. Mas, para o Brasil, isso representaria um retrocesso.

"Kyoto demorou tanto para sair do papel (apenas este ano) e é um bom mecanismo. Começar do zero em 2012, apesar de atender ao interesse de alguns países, não interessa ao Brasil", afirmou o chefe da delegação brasileira.

Ele não quis comentar que países são esses, mas deu a entender que lobbies são fortes neste tipo de negociação, já que a contenção da queima de combustíveis fósseis como o petróleo vai contra "interesses de muita gente importante".

Apesar das divergências relacionadas às políticas de controle do clima, o representante brasileiro afirma que o clima desta conferência, que acontece em Bonn até o dia 27, está melhor do que o das anteriores sobre o tema.

"Não há mais a pressão por Kyoto, nem as críticas ferrenhas aos americanos (que não aderiram ao protocolo). Os próprios Estados Unidos, que participam do encontro, vêm dando contribuições interessantes, especialmente no ramo tecnológico", disse.

Segundo Lago, dentro de alguns anos poderá-se ver, por exemplo, novas formas de "purificação" do petróleo e do carvão, para que eles não prejudiquem tanto o clima.

Mecanismo

Em relação ao Brasil, o país defende, além da manutenção de Kyoto, maiores investimentos no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), incluído no protocolo a pedido do Brasil.

O mecanismo é um instrumento de incentivo financeiro para o abatimento da emissão e seqüestro de gases estufa (principalmente CO2).

Ao investirem em tecnologia limpa nos países em desenvolvimento, os ricos abatem as suas emissões de C02 previstas no protocolo.

"O Brasil já vem se beneficiando do MDL, com um investimento estrangeiro na construção de aterros sanitários em Nova Iguaçu (RJ). Podemos nos beneficiar mais. Mas como o MDL está vinculado a Kyoto, precisamos de um segundo cumprimento do acordo", explicou Corrêia do Lago.



BBC, em Londres




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