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Ciência
Quarta - 18 de Maio de 2005 às 11:27

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Pesquisadores conseguem identificar pela primeira vez os pigmentos que foram usados para ilustrar as Bíblias feitas por Johannes Gutenberg no século 15 (foto: British Library)A Bíblia de Gutenberg, conhecida como o primeiro livro publicado com tipos móveis, também é famosa pelas coloridas ilustrações que mostram animais, flores e outras figuras decorativas. Mas a composição exata das imagens produzidas no século 15 tem permanecido um mistério desde então. Até agora.

Um grupo de pesquisadores europeus conseguiu pela primeira vez identificar os pigmentos que foram usados para ilustrar as sete Bíblias feitas pelo alemão Johannes Gutenberg (1398-1468) que se encontram hoje na Europa. De acordo com os envolvidos no estudo, a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de técnicas que permitam, além de restaurar tesouros históricos, ajudar a compreender as práticas de impressão então empregadas.

A pesquisa divulgada agora revelou, por exemplo, que o branco é devido ao uso do carbonato de cálcio, o verde escuro vem do etanoato de cobre, o amarelo deriva do Pb2SnO4, o vermelho do cinabre, o preto do carbono e o azul da azurita.

“A análise química e espectroscópica dos pigmentos representa um primeiro e importante passo de uma estratégia apropriada de conservação e preservação”, disse um dos autores do estudo, Gregory D. Smith, do Buffalo State College, no Estados Unidos. A pesquisa será publicada na edição de 1º de junho do periódico Analytical Chemistry, da Sociedade Química Norte-Americana (ACS).

O cientista ressalta que, na conservação de artefatos, há produtos químicos apropriados de acordo com os tipos de materiais empregados. “Quando não se sabe a correta composição química de um artefato, como, por exemplo, de um manuscrito, esse pode ser danificado pelo uso de substâncias incorretas que estejam sendo usadas para sua conservação. Também há riscos de expor a peça a situações ambientais inadequadas”, disse Smith, em comunicado da ACS.

Gutenberg produziu cerca de 180 Bíblias em latim, das quais sabe-se da existência hoje de 48. “Embora não se tenha notícias de que as obras estejam se deteriorando, os quase 600 anos desde que foram impressas constituem um fator importante para que se aumente o conhecimento sobre elas, que possa ser empregado no futuro em sua conservação”, disse Robin J.H. Clark, do University College London, outro autor da pesquisa.

Para ler a Bíblia de Gutenberg, clique aqui.



Agência FAPESP




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