Homenews - homenews.com.br
Informática
Quarta - 25 de Maio de 2005 às 09:50

    Imprimir


________________________________________________________________


Há apenas quatro anos, a China tirou o homossexualismo da lista de doenças psiquiátricas.

Agora, ativistas gay do país estão usando a internet e outros tecnologias para tentar criar comunidades homossexuais no país.

"Se não tivéssemos a internet para reunir as pessoas, salas, bares e discotecas não existiriam. A internet é muito, muito importante para as lésbicas", disse Sylvia, de 23 anos, durante uma reunião de mulheres em Pequim para discutir a identidade sexual.

Esse tipo de espaço aberto para lésbicas é relativamente novo na China e um produto da geração da internet.

Área cinzenta

"Temos uma nova maneira de encontrar amigos, namoradas e começar uma nova vida, porque antes da internet aparecer, cada um achava que era a único no mundo e não poderiam encontrar ninguém igual", disse Sylvia.

No entanto, os sites gays existem em uma área cinzenta, com alguma interferência oficial.

"Alguns sites gays são fechados pelo provedor e algumas vezes eles dão uma razão não realmente ligada ao homossexualismo, mas, na verdade, o motivo é o conteúdo gay", disse Xiao Xian, ativista lésbica.

"Ainda estamos em fase de testes para saber o que se pode fazer, o que é permitido. O governo não estabeleceu regras claras. Na verdade, as regras não são escritas e, então, temos que testar, ver o que é possível fazer."

Um festival de filmes gays e lésbicos teve mais de cem pessoas na audiência e foi realizado em uma pequena sala de uma fábrica abandonada, depois que as autoridades não deram permissão para que o evento fosse realizado no campus de uma universidade.

A maioria dos filmes da mostra foram produzidos na China, mas nunca tinham sido exibidos antes no país.

Um dos filmes, uma história de amor gay entre um homem e um marciano, foi dirigido por Cui Ze'en, professor da Academia de Filmes de Pequim, que foi proibido de dar aulas há 15 anos, desde que saiu do armário.

Ele acredita que as autoridades se sentem tão ameaçadas por dissidentes políticos quanto dissidentes sexuais.

"Eles são o mesmo tabu", disse ele. "A homossexualidade representa uma política cultural diferente".

"Ser gay é um tipo de política corporal que é inteiramente rejeitada em nosso sistema, porque em nosso país, a política é ser igual, mas gays são diferentes."



BBC, em Londres




URL Fonte: https://homenews.com.br/noticia/3026/visualizar/