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Ciência
Quarta - 25 de Maio de 2005 às 10:56

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A mesosfera, camada superior da atmosfera localizada entre 80 quilômetros e 100 quilômetros de altura, pode ser uma das chaves para os pesquisadores entenderem melhor as mudanças climáticas globais. Uma das teorias defende a idéia de que, quando o ar das partes mais próximas do solo é aquecido, lá no alto, quase na borda do espaço, ocorre exatamente o contrário: o frio seria cada vez mais intenso.

O problema é que estudar as camadas superiores da atmosfera não é uma tarefa fácil, principalmente em relação aos procedimentos metodológicos. O ar rarefeito impede os vôos de aviões tradicionais. Os balões normalmente utilizados em pesquisas na atmosfera mais próxima não conseguem chegar até lá com total segurança.

Para resolver o problema, pesquisadores britânicos da Universidade de Bath e da Base Anglo-Saxônica da Antártica resolveram se guiar pela própria natureza. Está sendo montado próximo ao Pólo Sul, um grande radar, que terá seis antenas de dois metros de altura cada e ocupará o espaço de um campo de futebol. Tudo para observar, e medir, a temperatura e os ventos que atravessam a mesosfera por meio dos meteoros.

Os corpos celestes que entram na atmosfera da Terra funcionarão como verdadeiros balões. A partir dos radares localizados na Antártica será possível, por freqüências de rádio, saber o deslocamento dos corpos e também medir a temperatura na mesosfera. Como milhares de meteoros são detectados todos os dias, será possível reunir um bom número de informações.

A mesosfera é considerada uma região fundamental para as pesquisas sobre as mudanças climáticas globais. Por causa da alta sensibilidade daquela zona atmosférica a alterações das condições físicas, imagina-se que ali qualquer impacto provocado pelas mudanças globais teria conseqüências muito maiores do que outras regiões.

Os primeiros resultados obtidos pelo radar britânico parecem promissores. Aproximadamente 5 mil meteoros foram detectados por dia. As temperaturas registradas até agora estão por volta de menos 130 graus centígrados. Isso, inclusive, ocorreu no meio do verão antártico.



Agência FAPESP




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