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Astronomia
Quarta - 01 de Junho de 2005 às 12:34

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O telescópio Hubble da Nasa, a agência espacial norte-americana, já tem um substituto para a próxima década. Trata-se do telescópio espacial Webb, que deverá entrar em operação em 2012, ano em que o Hubble se destruirá ao se chocar com a atmosfera terrestre.

"O novo telescópio será melhor, maior e terá capacidade para funcionar em uma nova longitude de onda", informou George Rieke, o astrônomo da Universidade do Arizona que comanda o desenvolvimento do instrumento.

Rieke afirmou que o Webb abrirá uma enorme gama de possibilidades na observação do universo, como aconteceu na última década com o Hubble.

A eficiência do telescópio Hubble decorreu, principalmente, da capacidade dele de esquadrinhar à vontade os limites mais remotos do universo. Isso porque o fato de estar em órbita permitia que evitasse as distorções criadas pela atmosfera terrestre.

No entanto, depois de quase 15 anos de trabalho, o Hubble começou a sofrer com o desgaste das baterias, as imperfeições dos giroscópios e a rejeição das autoridades da Nasa em enviar missões tripuladas para repará-lo.

Mutilado e sem esperanças de reparação, o Hubble, que constatou a existência dos buracos negros, dos quasares e de misteriosos sóis nos limites do universo, será puxado pela gravidade e se desintegrará quando entrar na atmosfera terrestre.

A morte do Hubble, decretada há um ano pelo então administrador da Nasa, Sean O'Keefe, foi objeto de fortes protestos da comunidade científica, que acusa a agência espacial de cruzar os braços para a perda de um de seus instrumentos mais valiosos.

Após o desastre do Columbia, no dia 1º de fevereiro de 2003, O'Keefe cancelou os reparos por considerá-los muito arriscadas.

Para Rieke, no entanto, o fim do Hubble não é uma perda tão dramática para a ciência, como afirmam alguns de seus colegas. "De fato, o 'Hubble' fez tudo o que podia em seus primeiros anos de operação e com os instrumentos que dispunha, mas já não se pode esperar muito mais dele", afirmou.

"O telescópio espacial Webb abrirá um novo campo de possibilidades e, mais uma vez, como ocorreu com o Hubble, nos assombraremos com as descobertas", previu.

Com um espelho dobrável de 6,5 metros, o Webb poderá trabalhar com longitudes de onda que irão variar de 0,6 a 28 micrômetros. Além disso, terá como observar sem distorções o nascimento de estrelas e a formação de galáxias na eterna expansão do universo.

Com um escudo que bloqueará a luz do Sol, da Terra e da Lua, o novo telescópio, de sete toneladas, será colocado em órbita por um foguete Ariane 5 da Agência Espacial Européia (ESA), a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, no que os astrônomos denominam "Ponto Lagrange 2".

O telescópio, que está sendo desenvolvido pela empresa Northrop Grumman Space Technology, também terá câmeras infravermelhas, um espectrômetro e outras câmeras focalizadas no ponto médio do espectro infravermelho. Apesar dos prometidos avanços, a concretização da próxima maravilha da astronomia começou a enfrentar problemas causados principalmente pelo financiamento de outros projetos a curto e longo prazos e pelas dificuldades de orçamento do governo norte-americano.

A Nasa prevê retomar as operações dos ônibus espaciais e o desenvolvimento de naves que os substituirão a partir da próxima década. E também premedita, a longo prazo, o retorno do homem à Lua, a preparação de missões tripuladas a Marte e o lançamento de sondas a outros planetas. A isso se somam os custos da construção do telescópio, que, segundo Rieke, aumentaram além do previsto.

Segundo o astrônomo, a construção do "Webb" foi orçada em US$ 1,5 bilhão. No entanto, essa quantia já subiu para US$ 2,5 bilhões e pode aumentar ainda mais se a Nasa insistir em utilizar um foguete Boeing Delta 4 em vez do Ariane europeu, afirmou Jeff Hecht, um especialista em astronomia da revista New Scientist.

Segundo Hecht, o destino do Webb deverá ser resolvido nos próximos meses, quando a Nasa deve fazer uma nova avaliação de suas prioridades.



Com agências internacionais




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