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Astronomia
Sexta - 03 de Junho de 2005 às 01:34

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“Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.” Enterprise? Não, mas o bordão de Jornada nas Estrelas cai como uma luva para a destemida e infatigável sonda Voyager 1, que há 27 anos tem explorado planetas e luas, cruzando o espaço em direção ao desconhecido.

E a jornada continua. A Nasa, a agência espacial norte-americana, anunciou na última semana que a espaçonave entrou na fronteira final do Sistema Solar. Uma vasta e turbulenta região onde a influência do Sol termina e não se sabe exatamente o que começa, além dos gases carregados disparados por outras estrelas.

“A Voyager 1 acaba de entrar na última volta de sua corrida rumo à extremidade do espaço interestelar”, disse Edward Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e um dos cientistas responsáveis pela missão, em comunicado da Nasa.

Em novembro de 2003, a nave começou a experimentar algo nunca antes visto pela missão. Os pesquisadores acreditavam que os fenômenos indicavam que a Voyager 1 poderia estar se aproximando de uma estranha região do espaço.

Segundo a Nasa, seria uma região em que o vento solar – o fluxo de gás carregado eletricamente que é emitido continuamente pelo Sol – estaria afetado pela pressão dos gases entre estrelas. Ali, o vento solar perderia velocidade abruptamente, e cairia de cerca de 2,4 milhões de quilômetros por hora para 1,1 milhão, além de se tornar mais denso e mais quente.

Outra evidência de que a Voyager 1 estava próxima do fim do Sistema Solar veio em dezembro de 2004, quando os sensores a bordo da nave detectaram um súbito aumento do campo magnético, que mais do que dobrou de intensidade. Isso ocorreria quando o vento solar perdesse sua influência.

A nave também identificou um aumento no número de elétrons e íons carregados e em alta velocidade, além de uma grande emissão de ruídos provocados por uma onda de plasma. “As observações feitas pela Voyager 1 nos últimos tempos revelam que a região onde ela se encontra é muito mais complexa do que imaginávamos”, disse Eric Christian, outro dos cientistas responsáveis pela missão.

Dupla duradoura

A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977, do Cabo Canaveral, na Flórida, duas semanas depois da sua irmã gêmea, a Voyager 2. A dupla mais tenaz da história da ciência espacial passou por Júpiter, Saturno, Urano e Netuno e explorou 48 luas.

Enquanto a Voyager 1 se encontra no fim do Sistema Solar, a outra nave se aproxima da região e está cerca de 3 bilhões de quilômetros atrás. As duas carregam mensagens para o caso de serem encontradas por alguma outra forma de vida. Um disco de cobre e ouro de 12 polegadas contém sons e imagens selecionadas para mostrar a diversidade da vida, da sociedade e da cultura da Terra.

O conteúdo do disco foi selecionado por um comitê então liderado pelo astrônomo e escritor Carl Sagan, da Universidade de Cornell. Ali estão gravadas 115 imagens e diversos sons obtidos na natureza, além de seleções musicais de diferentes culturas e períodos e saudações em 55 línguas.

Mais informações: http://voyager.jpl.nasa.gov









Agência FAPESP




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