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Ciência
Quarta - 14 de Setembro de 2005 às 12:03

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Os desdobramentos da era genômica criam cada vez mais tentáculos e uma deles é a possibilidade de identificar um ser vivo apenas pela assinatura do seu DNA. Por conta disso, grandes bancos de dados, com milhares de código de barras moleculares, poderão se tornar ferramentas importantes na conservação da biodiversidade global.

A criação do Conselho Internacional de Códigos de Barras, em 2004, mostra que há muitos cientistas espalhados pelo mundo interessados nessa nova organização da informação gerada pela genética. Pesquisadores brasileiros também estão se organizando para a criação da primeira rede nacional de código de barras moleculares. Mais de cem pessoas participam dessa iniciativa.

“Um dos projetos piloto pretende obter o registro de todas as 574 espécies de mamíferos que vivem no país”, disse Sandro Luis Bonatto, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Segundo o cientista, o único brasileiro entre os 11 integrantes do comitê científico do conselho internacional, é preciso agir rápido para que o Brasil passe a participar dos projetos internacionais como um dos grandes líderes. “Isso é proporcional à importância da nossa diversidade”, afirma.

Apresentado ao governo para ser financiado dentro dos moldes dos Institutos do Milênio, o projeto organizado por Bonatto pretende utilizar toda a infra-estrutura disponível nos laboratórios brasileiros decorrente da implantação dos vários projetos Genoma. “Podemos gerar um banco com 150 mil amostras, sem a necessidade de comprar uma única máquina”, conta o cientista gaúcho.

Além de ser uma ferramenta importante na proteção da biodiversidade – uma vez que os códigos de barras podem acelerar a linha do tempo do conhecimento em várias situações – esses bancos de dados com assinaturas de DNA têm outra vantagem. “Eles revitalizarão a sistemática, área do conhecimento que nem sempre consegue atrair muitos pesquisadores”, afirma o pesquisador.

Para Bonatto, as críticas dos cientistas contra a criação dos bancos de assinaturas não coincidem com a realidade. “A taxonomia clássica não vai acabar, muito pelo contrário.” O pesquisador explica que a idéia é gerar as informações para que o próprio taxonomista trabalhe com elas. “Os museus e as coleções também terão um papel fundamental e serão até revitalizados. Não queremos que as amostras de DNA fiquem depositadas em instituições estrangeiras, como ocorre hoje com centenas de exemplares inteiros da nossa flora e fauna”, disse.

Dentro da proposta alternativa de análise taxonômica, os códigos de barras podem ser decisivos em várias situações. Em muitos casos, o estudo apenas morfológico não consegue chegar a conclusões definitivas. Além disso, em investigações sobre novas espécies ou em inventários rápidos que precisem ser realizados, como no caso de áreas que serão inundadas por uma usina hidrelétrica, a agilidade de um banco de dados molecular pode ser crucial para a defesa do patrimônio genético.

“Existem ainda muitas dúvidas sobre a metodologia. Em algumas espécies, terá que ser usado um pedaço específico do DNA e, em outras, trechos diferentes. Isso tudo ainda está em aberto e deve ser discutido pela comunidade”, explica Bonatto. Para o pesquisador, a certeza é a poderosa importância dessa inovadora ferramenta molecular.






Agência Fapesp




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