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Ciência
Quarta - 14 de Setembro de 2005 às 12:46

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Mesmo correndo o risco de ser acusado de querer biologizar os comportamentos sociais, Ricardo Flores, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), continua com o foco científico. No 51º Congresso Brasileiro de Genética, encerrado sábado (10/9), em Águas de Lindóia, ele procurou apresentar os conhecimentos atuais da chamada genética da violência.

“Tenho muito mais dúvidas do que certezas, mas algumas questões começam a ser conhecidas”, avisa o médico logo de início. O que exemplos como o do Maníaco do Parque [Francisco de Assis Pereira, que em 1998 matou dez mulheres na Zona Sul de São Paulo, além de ter atacado várias outras] podem colaborar com os estudos feitos em várias partes do mundo? Segundo Flores, todos os grandes assassinos apresentam sinais precoces de disfunção cerebral.

Quando uma criança sofre maus-tratos, que é portanto um fator ambiental, um dos alelos envolvidos com o comportamento é inibido. Dessa forma, explica Flores, a produção de serotonina no cérebro aumenta e provoca alterações metabólicas e de desenvolvimento cerebral importantes. Isso pode estar ligado ao nascimento dos comportamentos aberrantes em fase adulta.

“O grande problema é quando a predisposição genética se encontra com o fator ambiental”, afirmou o cientista em sua conferência. Segundo Flores, quando apenas um dos fatores aparece, o desvio de comportamento dificilmente é registrado. No caso dos maus-tratos até os 2 anos de idade, eles podem programar o cérebro da pessoa de forma que ela se torne fria e sem pena do próximo.

Uma experiência relatada por Flores ilustra bem o papel que o ambiente tem sobre o genótipo humano. Depois de passar os primeiros dois anos de vida em ambientes hostis, um grupo de crianças viveu por três anos em lugares considerados protegidos do ponto de vista comportamental.

Quando vários estudiosos foram convocados para identificar quais eram as crianças que haviam mudado de ambiente, o resultado não surpreendeu. “Esse teste anti-social, apenas pelo comportamento, identificou com sucesso todas as crianças que haviam sofrido maus-tratos”, afirma Flores.






Agência Fapesp




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