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Tecnologia
Sexta - 04 de Novembro de 2005 às 11:35

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A divisão musical da Sony foi acusada de usar táticas de hackers para evitar que seus CDs sejam pirateados.

Um dos sistemas de proteção analisados pelo técnico de computador Mark Russinovich usa arquivos disfarçados que se escondem no sistema Windows.

A operação para a retirada do programa da Sony é extremamente difícil, e o processo levou Russinovich a afirmar que os esforços da Sony para evitar a pirataria "tinham ido longe demais".

Em resposta à crítica, a Sony BMG disse que iria providenciar ferramentas para usuários e empresas de segurança que iriam revelar os arquivos escondidos.

Parecidos com vírus

Russinovich, um famoso especialista em programação do sistema Windows, encontrou o "sistema antipirataria" da Sony-BMG quando realizou o mapeamento de seu computador com um programa utilitário, que ele ajudou a criar e que encontra os chamados rootkits.

Os rootkits começaram a ser usados por alguns criadores de vírus de computador porque eles permitem que códigos malignos sejam inseridos no sistema Windows, significando que eles não serão encontrados pela maioria dos programas antivírus.

Depois de muita análise, Russinovich percebeu que o programa "disfarçado" tinha sido instalado quando ele ouviu pela primeira vez o álbum Get Right With the Man, da banda Van Zant.

Apesar de parecer um vírus, Russinovich descobriu que os arquivos escondidos tinham vindo de um sistema contra cópias, conhecido como Proteção Contra Cópias Estendidas (XCP na sigla em inglês).

Cerca de 20 títulos teriam usado este sistema e, em maio de 2005, a Sony afirmou que mais de 2 milhões de CDs com esta tecnologia tinham sido colocados no mercado. O XCP é apenas um dos vários sistemas que a Sony está experimentando.

O XCP permite que sejam feitas apenas três cópias do álbum, e os arquivos escondidos ficam escondidos ao lado do programa de mídia.

Russinovich teve dificuldades para retirar estes arquivos escondidos de seu computador e também não conseguiu tocar CDs por algum tempo.

No blog

Escrevendo a respeito do assunto em seu blog, Russinovich disse que o acordo de autorização que ele aceitou quando ouviu o CD pela primeira vez não mencionava o fato de que ele não poderia retirar o programa ou as mudanças que este programa fez em seu computador.

Russinovich teme que os usuários de computador mais cuidadosos, que querem manter seus computadores livres de vírus, podem tropeçar nos arquivos escondidos XCP, apagá-los e, sem querer, criar defeitos em seus aparelhos.

Mikko Hypponen, chefe de pesquisa da companhia de segurança finlandesa F-Secure, também está preocupado desde que encontrou o XCP pela primeira vez em setembro.

"Tememos encontrar um novo vírus criado por alguém que usou o fato de que o XCP está sendo rodado em dezenas de milhares de computadores no mundo todo. O rootkit pode esconder este vírus de qualquer programa antivírus que existe", disse.

Mathew Gilliat-Smith, presidente-executivo da empresa britânica que inventou o XCP, a First 4, disse que seu programa usa técnicas populares entre outros programas e que os usuários foram avisados que o programa continha proteção contra cópias.

Gilliat-Smith afirmou que o debate gerado por Russinovich levou a Sony BMG a liberar informação para ajudar as companhias que fabricam o antivírus a encontrar os arquivos escondidos do XCP.

Um porta-voz da Sony BMG disse que o acordo de autorização de uso era explícito quanto ao que estava sendo instalado e como remover os arquivos.






BBC, em Londres




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