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Saúde
Terça - 17 de Janeiro de 2006 às 08:53

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Os testes de viabilidade de produção estão concluídos e as primeiras doses da vacina brasileira contra a raiva humana, que será feita pelo Instituto Butantan, em São Paulo, poderão estar disponíveis em fevereiro.

“Só dependemos da liberação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para começar a produção. O Butantan está com toda a infra-estrutura tecnológica pronta”, disse Neuza Maria Frazatti Gallina, chefe da seção de raiva do instituto. “Apesar de o prazo final [da avaliação ] ser no dia 7 de maio, a expectativa é que a Anvisa autorize o início da produção das vacinas em fevereiro.”

A meta inicial é produzir 3 milhões de doses por ano, ao custo estimado de US$ 5 por dose. O governo federal importa da França anualmente essa mesma quantidade de vacinas, por US$ 7 a dose. “Além de baratear os custos em cerca de 30%, a vacina que será produzida no Brasil terá mais anticorpos que a importada”, explica Neuza.

Uma vez que a produção nacional estiver estabilizada, o Instituto Butantan pretende solicitar um registro junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) para que possa exportar a vacina. Nesse caso, a produção nacional poderá aumentar ainda mais, para que o produto seja vendido principalmente para a Ásia.

“Será a primeira vez que o Brasil produzirá esse tipo de vacina em cultura de células. Anteriormente, a vacina era obtida em cérebros de camundongos, uma metodologia ultrapassada que pode resultar em baixo número de anticorpos e apresentar graves efeitos colaterais no paciente”, conta a chefe da seção de raiva do Instituto Butantan. Em 2004, o governo federal aboliu o uso em humanos de vacinas produzidas em camundongos.

A raiva humana é uma encefalite viral grave transmitida por mamíferos, únicos animais suscetíveis ao vírus. O cão é o principal transmissor da doença, seguido pelo morcego. “Trata-se de uma doença que apresenta um longo período de incubação no organismo humano. A vacina produz anticorpos que neutralizam o vírus antes que ele atinja o sistema nervoso central. Se isso ocorrer, a doença evolui rapidamente, levando o indivíduo ao óbito”, explica Neuza.

Segundo ela, ainda não existe um tratamento específico para a doença e as únicas condutas possíveis se limitam a diminuir o sofrimento do paciente. A infecção ocorre quando a pessoa é exposta ao vírus excretado pelas glândulas salivares do animal infectado. O vírus é introduzido no organismo humano por meio de ferimentos na pele.




Agência Fapesp




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